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    Bate Papo Surreal

    março 7th, 2010

    Foi uma terça-feira atípica, em todos os sentidos.

    Cheguei em casa da natação cansado, liguei o computador, li uns emails, mas decidi assistir ao BBB deitado na minha cama, para imediatamente após o programa, dormir. Mesmo cansado, estava sem sono e assim, assisti a todo o programa e depois, ainda fiquei rolando para lá e para cá por algum tempo. Como não gosto de ficar assim, levantei, preparei um copo de leite com chocolate e me sentei na frente do pc.

    Poucas pessoas online, nada de interessante para ler e decidi me aventurar por uma sala de bate papo da UOL. Todos sabem bem como são as salas, né? Mil horas de papo com mil pessoas para não se chegar a objetivo nenhum. Depois de muitos ‘como você é?’ e ‘qual o tamanho do seu pau?’ ele puxou papo comigo.

    Um nick sutil: um nome próprio e não aquelas aberrações que vemos nesse ambiente. Perguntou a minha idade e se eu gostaria de conversar um pouco. E começamos. Papo interessante para uma sala daquelas e acabamos trocando msn.

    Ele não tinha foto na exibição e eu, engraçadinho que sou, tive de perguntar:

    ‘Você é feio? Somente feios não colocam foto no msn.’

    ‘E vc é escroto? Somente alguém escroto pra perguntar algo do tipo…’

    Eu ri e continuamos nosso papo. No meio da conversa ele pediu minha webcam e eu liberei. Ele me viu, fez alguns comentários e quando eu perguntei se ele também tinha, ele disse que sim, mas que não poderia abrir. Eu fui direto:

    ‘Beleza! Vou te deletar. Não falo com pessoas sem rosto!’

    Me chamou de nervosinho e pediu meu telefone. Sei lá porque, passei. E ele me ligou e com aquela voz interessante e papo pra boi dormir, conseguiu me convencer a encontrá-lo sem ver nada dele antes. Sim, eu sei, sou louco. Mas, sei lá. Ele tinha algo mais, um bom papo, algo de sedutor que me atraia.

    Disse que não sairia de casa e do meu bairro e, se ele quisesse mesmo me ver, que se despecansse de onde morava até uma pizzaria perto da minha casa e, quando estivesse lá, que me ligasse e eu desceria para encontrá-lo. Ele disse que tudo bem, que não se importava. 22 minutos depois ele me ligou e disse que estava no local marcado.

    Saí de casa e ao sair do meu prédio vi o carro parado em frente à pizzaria. Ele, que me reconhecia, colocou a cabeça para fora e me chamou até ele. Era bonito, o que me surpreendeu, e tinha um certo ar familiar que eu não sabia de onde o conhecia. Entrei no carro, nos apresentamos e ele ainda fez uma brincadeirinha com respeito aos nossos nomes. Ele saiu com o carro e o papo fluia da mesma forma que no msn e no telefone. Até que ele, do nada, virou para mim:

    ‘Você está se fazendo de desentendido ou realmente não sabe quem eu sou?’

    ‘Sinceramente? Você me tem um ar familiar, mas eu não faço idéia de onde posso te conhecer.’

    ‘Ah, sim… É que eu sou ator, já fiz novelas na Globo e na Record. Meu nome é Fulano… De Tal!’

    ‘PUTAQUEOPARIU!’ – foi o que consegui dizer. Quando ele disse seu  nome e sobrenome, tudo fez sentido e o rosto familiar ganhou contornos muito conhecidos para mim e finalmente descobri de onde o conhecia.

    Ele riu, eu ri e acabamos no apartamento dele, na zona sul do Rio. Aquele homem lindo, que certamente já havia povoado meus pensamentos em alguma ocasião da minha vida, famoso, ali, no apartamento dele, comigo. Me desejando, me abraçando, transando comigo.

    Depois do sexo, ainda ficamos deitados na cama, conversamos, rimos um pouco. E eu fingindo naturalidade ao estar ao lado dele, alguém que eu nunca  imaginaria sequer conhecer. Tomei um banho e ele insistiu para eu ficar um pouco mais, entretanto, já passava das 3h da manhã e eu trabalharia cedo. Ele se vestiu e me levou até meu prédio.

    No meu quarto, pronto pra dormir, eu imaginava como o Rio é uma esquina e como minha vida daria uma boa de uma novela (mexicana, eu admito). E quando estava quase adormecendo meu telefone tocou de novo. Era ele, dizendo que tinha gostado de me conhecer e que a noite tinha valido a pena. Que os contatos estavam salvos e que ele adoraria me rever novamente.

    Pois é. Surreal pra mim.

    E, como bem dizem por aí, é melhor não dizer o nome do santo. Afinal, quem come quieto, come duas vezes!

    “Empapuçados de amor
    Numa noite de verão
    Ai, que coisa boa
    À meia luz, à sós, à toa…”

    Caso Sério (Ed Motta)


    Fragmentos do Cotidiano (17)

    março 1st, 2010

    => Não sei o que quero. Mesmo. O vale março foi extendido. E eu na verdade estou evitando o mocinho lá. Não quero namorar com ele, mas não sei como dizer isso a ele. Filhadaputice modo On.

    => Conheci um cara no pós carnaval (outro). Em dois dias com ele, senti tudo aquilo que não senti em meses com o mocinho do vale março. Sei lá. Mais velho, bem resolvido, irônico, simpático. E casado com outro cara. Nada é perfeito, né?

    => Não sinto absolutamente mais nada pelo meu primeiro ex-namorado. Mas na sexta, em plena Noite Preta, cruzei com ele e com o atual namorado. Vontade imensa de sair dando uma voadora naquele namorado escroto e dançarino de Axé dele. Muita franqueza na minha vida. Como ele caiu no meu conceito quando começou a namorar o Axé.

    => Finalmente conheci o Paul, do Notas Sobre Uma Vida. Absurdo nós dois morando aqui no Rio, sendo da mesma cidade do interior e ainda não nos conhecermos. Na saída da Noite Preta, na TW. Eu levemente alcoolizado, mas o reconheci e dei um abracinho nele! Foi legal. E ele é gato! (pronto, fiz propaganda sua, viu!).

    => Sobre a(s) Noite(s) Preta(s). Gente, o que são os shows da Preta Gil na TW do Rio? Me ACABO naquilo. E fui em todas de janeiro. A última, Ressaca da Preta, estava excelente.

    => Voltei de férias um pouco antes do carnaval. E já estou ansioso pelas próximas. Preciso viajar. Adoro viajar. Em abril, vou dar uns vôos pra São Paulo. Em julho quero voltar à Argentina. Janeiro do ano que vem, até o momento, os planos me levam até Londres. Vamos ver!

    => Reencontros. No meu pós-carnaval reencontrei um menino que ficava há anos atrás. Ele de Juiz de Fora, eu do interior do Rio. Nos desencontramos. E agora cara a cara de novo, na cidade maravilhosa. Estranho e empolgante.

    => O que é esse BBB10? Dourado já é vencedor certo da edição e eu me pergunto: eu que estou errado ao achá-lo um escroto homofóbico abominável?

    => Living la vida loca!

    “Eu ponho quem eu quero aqui no meu colchão
    E se não dá valor eu trato de esquecer
    É que eu também sou feita de deixar de ser
    Só vou te contar porquê voce ja é de casa
    Eu tenho um lado doce que quase ninguém vê
    Se dou festa, trato bem até quem chega de penetra
    Quem me beija nao consegue me esquecer…
    Tudo me interessa, tudo tem mistério
    Sou devota da paixão
    Menina e menino, pego em estéreo
    Mas não venha grudar, não…”
    Estéreo (Preta Gil)


    Tópicos de Fim de Carnaval

    fevereiro 21st, 2010

    E o carnaval chegou ao fim, afinal, como bem cantaram os Los Hermanos, todo carnaval tem seu fim. O que fica é a certeza que no ano que vem tem mais e que a gente poderá extravasar toda energia que acumulamos durante um ano inteiro. Se você gosta de bagunça, se você prefere descansar, se você gosta de mesclar descanso com folia, o carnaval está sempre aí pra isso.

    Meu carnaval foi estranho. Me diverti muito e intensamente, mas também tive uma onda filha da puta de saudosismo que eu não queria sentir. Mas, como faz parte da vida e não controlamos certas emoções, essa onda veio.

    No geral, foram dias de folia, contratempos, diversão e muita praia e sol. Pra não ser chato, vou por tópicos curtos, mas que cobrem bem todo o meu carnaval.

    • => Sábado de carnaval: um grande branco na minha vida. Nunca apaguei um dia inteiro antes, mas é o que realmente aconteceu. Lembro-me de estar saindo de casa, às 15h, a caminho da Banda de Ipanema. Depois disso, mais nada. Não lembro mesmo. Medo de mim.
    • => Fui furtado, no bendito sábado. Mas como eu não me lembro de nada, não posso falar muita coisa. Só sei que tudo que estava no bolso da minha bermuda não estava mais quando fui procurar. Faz parte.
    • => Beijei mil bocas. Fui beijado por outras mil. E em meio a uma onda de saudosismo só queria o sabor de uma boca.
    • => Muitos amigos reunidos. Amigos de longa data junto a amigos recém conhecidos mas que prometem ficar por bastante tempo na vida. Adoro isso!
    • => Tô numa cor ótima! Também, cinco dias indo pra praia direto dá nisso, mesmo abusando no protetor solar.

    Carnaval feelings puro! Na quinta feira, de volta ao trabalho e agora, enfim, começando o ano, que promete bastante!

    E fico por aqui. Ou pelo msn. Ou onde você quiser me encontrar ;-)

    “Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
    Toda Bossa é nova e você não liga se é usada
    Todo o carnaval tem seu fim e é o fim, e é o fim
    Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz…”

    Todo Carnaval Tem Seu Fim (Los Hermanos)


    No Reinado de Momo

    fevereiro 12th, 2010

    E já é carnaval no Rio de Janeiro. E um carnaval quente, com sensação térmica de mais de 50º C. Parece loucura, mas o Rio, mais do que nunca, está um verdadeiro forno. Inacreditável pensar que esses dias o Rio de Janeiro foi o segundo lugar mais quente da face da Terra, mais quente até que o Saara (o deserto, não o comércio popular). Choquei!

    Esse ano, pela primeira vez, passarei todos os dias de carnaval no Rio. É meu primeiro carnaval morando efetivamente aqui e, em muito tempo, o primeiro carnaval que passo efetivamente solteiro. E como já assumi minha filhadaputice nesse mesmo blog, acho que o Rio de Janeiro é o cenário ideal para se passar um carnaval e se jogar.

    Aliás, meu pré-carnaval já foi bem intenso. Tenho ido nas Noites Pretas, na The Week desde que voltei de Buenos Aires. A Preta Gil consegue realmente fazer daquela festa um acontecimento único e imensamente divertido. A Preta é tão trash, que chega a ser cult. Virei fã, mesmo! Até fui a Ipanema no último domingo e me joguei feliz atrás do bloco dela, o A Coisa Tá Preta. Me senti na Bahia, literalmente, atrás do trio. Fora isso, já tinha ido na Banda de Ipanema na semana anterior e me divertido bastante.

    Mas a folia oficial começa hoje, sexta-feira. Amigos queridos ficando na minha casa (morar no Rio tem disso: seus amigos nunca deixam que você fique sozinho) até a quarta-feira de cinzas e alguns roteiros já bem traçados. Entre os planos, se jogar nos blocos da Lapa, pegar a praia de Ipanema e, pelo menos, ir atrás da Banda de Ipanema e do Simpatia É Quase Amor. E, claro, marcar ponto na Farme de Amoedo (o que eu sempre faço quando saio da praia, seja carnaval ou não, né?).

    No mais, o que interessa é beijar na boca e ser feliz. Com juízo e prevenção e uma pequena dose de filhadaputice.

    Então, meus amigos, se joguem por aí. Que eu me jogo aqui!

    Beijo e divirtam-se! Nos falamos no ano que vem (afinal, o ano só começa mesmo depois do carnaval, né?)

    “É hoje o dia da alegria
    E a tristeza, nem pode pensar em chegar
    Diga espelho meu!
    Diga espelho meu
    Se há na avenida alguém mais feliz que eu
    Diga espelho meu
    Se há na avenida alguém mais feliz que eu…”

    É Hoje o Dia (Samba Enredo União da Ilha – 1982 e 2008)


    O Cara Certo Na Hora Errada

    fevereiro 4th, 2010

    caraerrado

    Fui pedido em namoro. Na cara dura. Um ‘quer namorar comigo?‘ à queima roupa, sem me deixar pensar muito.

    Ele é bonito, ele é inteligente, ele é simpático, ele é gostoso (forte e sarado) e ele parece gostar muito de mim. Ele é complexado e, nos seus 30 anos, ainda não se aceita direito e tem umas paranóias que eu não tinha nem nos meus 18.

    Eu gosto dele. Gosto da companhia dele. Tenho tesão nele. Mas, não sei exatamente porque, não quero namorar com ele. Ou com qualquer outra pessoa. Ou sei lá se um dia vou querer novamente namorar. Na verdade, eu até quero, gosto de estar namorando, de como sou quando estou apaixonado. Mas acho que não consigo namorar agora ou tão cedo. O meu start pra relacionamento não tá funcionando, acho.

    Com toda minha delicadeza disse pra ele que estava lhe dando um vale março. Sim, eu sou escroto, às vezes. Disse que ninguém pede outra pessoa em namoro antes do carnaval e que, em março, nós conversaríamos. Idiota que sou, imaginei que ele ficaria puto e me deixaria de lado. Porque sim, também sou fraco: eu não sei abrir mão da companhia dele. Ele ficou meio tristinho, mas logo depois disse que tudo bem, que era realmente melhor assim, que até março ele teria tempo para me conquistar de vez.

    E no carnaval ele vai viajar. Com a família. Pai, mãe, irmão e cunhada. Vão todos para a Região dos Lagos. E eu vou ficar no Rio de Janeiro, no meio da muvuca, da confusão e da boemia. Oh, dó!

    Às vezes eu queria ser menos filho da puta. Às vezes eu queria ser mais filho da puta. Às vezes eu queria ser totalmente insensível. Às vezes amaldiçoo a minha sensibilidade.

    Porque agora ele está de férias, mas me manda mensagens diversas, diz que tá com saudade e que depois que me conheceu passou a enxergar o mundo de forma diferente.

    E eu estou realmente começando a me odiar. Por que eu não posso ser o cara certo pra um cara tão legal? Por que o cara legal surge exatamente no momento em que eu sou o cara filho da puta?

    Tem horas que eu paro de pensar e deixo tudo pra lá.

    “It’s like rain on your wedding day
    It’s a free ride when you’ve already paid
    It’s the good advice that you just didn’t take
    And who would’ve thought… it figures
    Well life hás a funny way of sneaking up on you
    And life hás a funny, funny way of helping you out…”

    Ironic (Alanis Morissette)