• Home
  • O Autor
  •  

    Pensamentos Avulsos (2)

    julho 7th, 2008

    -Tradicional festa da colonização alemã na minha tradicional cidade imperial.
    Eu na festa, no meio daquele monte de gente loira de olho azul e me sentindo o escravo alforriado.
    Perto daquela branquês-alva (criei a palavra agora, já tá registrada) eu era o verdadeiro branco-café-com-leite-de-olhos-verdes-folhas-secas.

    -Fui ao cinema e tive a sensação de que havia assistido ao melhor filme do ano, sem sombra de dúvida!

    Wall-E, mais que uma animação, chega a ser uma obra de arte.

    -Se dizem que pensar enlouquece, por que eu penso tanto?
    E se penso tanto, por que ainda não enlouqueci?
    Ou será que sou louco e me acho são?
    O que será a loucura? O que será a normalidade?
    Endoidei?

    -Duas semanas para o aniversário.
    Uma sensação ‘de repente 30’ tomando conta de mim.
    Odeio a impressão de estar ficando velho.
    Mas adoro fazer aniversário e ser mimado por todo mundo.
    Desparadoxal, não?

    -Ouvindo Victor e Léo e achando uma das músicas, tema da Debora Secco na novela das 8 que começa depois das 9h, bonitinha.
    Caralho, o que se passa comigo?

    -Por que ultimamente tenho ouvido tanto a frase ‘acho que me apaixonei por você’ de pessoas diferentes?
    Mamãe passou açúcar em mim? Agora que eu não precisava desse açúcar?
    Vá entender!

    -Namorar era pra ser uma coisa muito fácil.
    Duas pessoas se conhecem, se gostam, se atraem e resolvem ficar juntos. A partir daí é só manter o gostar e a atração.
    Mas não. A coisa fica confusa e complicada.
    Mas quem disse que pra ser bom tem de ser fácil, não é mesmo?


    O Arranhão No Cristal

    julho 1st, 2008

    O encontro na rua. O sorriso amarelo. A frase no quarto de hotel: Precisamos conversar!

    O sinal de alerta. O frio na barriga. A atitude de defesa, o meu comportamento frio: Fala.

    E ele falou.

    Que algo não tava legal. Que achava que eu gostava mais dele do que ele de mim. Que estava confuso. Que não queria me envolver nas confusões dele.

    Eu, estático, ouvindo todo aquele monólogo: O que sugere?

    Por que você tem de ser sempre tão prático? -ele me pergunta.

    Eu que estou tomando a porrada, que não tava preparado para ouvir tudo aquilo e ainda sou o prático e frio?

    Terminamos então? Está certo disso? –é o que consigo perguntar.

    Ele chora. O sim que não quer sair de sua boca, mas que para mim estava claro.

    Vou para o banheiro, buscando conforto naquele espaço reservado. E choro.

    Ele entra e me vê naquele estado e não me resta outra alternativa.

    Some daqui, vai embora! E esquece que eu existo, meus números de telefone, tudo!

    E ele foi. E tudo que eu queria era que ele voltasse, batesse na porta, falasse que não era bem assim.

     

     

    A dor. A grande dor. A noite não dormida. As olheiras no dia seguinte. As crises de choro.

    Os amigos. Os bons amigos. As pessoas que eu agradeço por estarem na minha vida.

    Suas palavras de consolo, de ânimo. Os abraços e os sorrisos.

     

     

    A noite seguinte. A minha casa. O meu lar finalmente depois de quase uma semana dormindo em quarto de hotel.

    O telefone tocando.

    Era ele.

    Oi.

    Meu silêncio.

    Precisamos conversar.

    Aquelas palavras novamente.

    Meu sarcasmo aflorando, meu cinismo, minha mágoa querendo transbordar.

    Sem a menor possibilidade disso acontecer hoje.

    Mas não resisti e a conversa acabou acontecendo, pessoalmente, horas depois.

    Me perdoa! Estou confuso. Não soube me explicar. Não é você, não é o que eu sinto! É todo o resto, é a minha condição, é a sociedade. Não sei lidar com isso. Não queria gostar de homens!

    Os olhos vermelhos, a confusão estampada em seu rosto.

    Eu não queria gostar de você. Juro que não queria! –é o que apenas consigo dizer.

    Me dá outra chance? Podemos tentar de novo? –ele quer saber.

    Eu vim até aqui, não vim? Gosto de você, é óbvio. Mas estou magoado, muito magoado. Não esperava isso de você. Não de forma tão cruel. Uma porrada vindo do nada! -digo de uma vez só.

    Me desculpa?

    Fico em silêncio.

    Algo havia se quebrado dentro de mim.

    Mas eu insisto em confiar e acreditar no ser humano. E espero que essa ferida sare.