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    Inquietações

    agosto 29th, 2008

    Sabe quando algo te angustia?

    Aquela sensação chata de que tem algo errado e de que você deve mudar?

    Pois é. Essa é a sensação que me toma.

    E não pensem que é dor de cotovelo pelo fim do namoro, pois não é.

    É uma agonia mais abrangente: me sinto com inquietações adolescentes.

    O que eu realizei? O que estou fazendo? Para onde estou indo?

     

    Trabalho, moro sozinho, tenho relativa estabilidade financeira pra me dar o luxo de algumas extravagâncias, mas quero mais.

    E o que faço pra conseguir esse mais? Ultimamente nada.

    Tô acomodado no meu trabalho, na minha vidinha, na minha rotina.

    Tenho vários planos, quero começar logo a minha pós, quero fazer o mestrado, quero viver de dar aulas (coisa que fiz por um semestre na faculdade como professor substituto e que me foi imensamente prazeroso), quero conquistar o mundo.

    E o que faço? Nada. Continuo estagnado, me contentando com um emprego que paga minhas contas e me dá uma certa flexibilidade.

    Lembro-me do adolescente sonhador que queria sair da cidade pequena, conquistar o mundo.

    Saí da cidade pequena, finalmente. Mas e agora? Algo realmente mudou?

    Acho que no fundo continuo sendo aquele garoto sonhador, que se imaginava morando sozinho, criando castelos de areia.

     

    Queria uma paixão arrebatadora, alguém para quem eu olhasse e esquecesse meus problemas.

    Amei, sofri, baixei a guarda e mergulhei fundo na paixão.

    Acabei triste, magoado e magoando.

     

    Cresci.

    E tem horas que isso é um saco total!

    Por que não posso voltar a ser aquele garoto magro e desengonçado que voltava do colégio prestando atenção a tudo pela rua, fazendo planos, arquitetando uma vida?

     

    Ser adulto é uma merda!


    Fragmentos do Cotidiano (8)

    agosto 27th, 2008

    Um papo casual no MSN. Com QUALQUER pessoa.

    Pode ser qualquer assunto. Do mais sério ao mais chulo.

    Não adianta. Eu tenho um vício.

    Ao final de cada frase, eu não resisto e mando um rs na linha seguinte.

    É sério!

    E eu odeio isso. Mas quando vejo, o rs já foi enviado.

    O que as pessoas acharão de mim? Que dou risinhos a cada frase que digo?

    Triste demais esse vício.

    Será que existe grupo de ajuda? PURDA (Pessoas que Usam Rs Demais Anônimas)?

    rs…

     

     

    Eu no msn.

    Surge uma pessoa que não está na minha lista de contatos.

     

    Just don´t know. diz:

    oi Mr. dissimulado e egocêntrico

    Just don´t know. diz:

    esqueci de te excluir, como vc fez comigo

    Just don´t know. diz:

    o farei

    Just don´t know. diz:

        tchau

     

    E então a pessoa fica offline.

    Eu faço cara de ‘Hã? Como assim?’.

    Pensem no tanto que eu ri.

     

     

    Entro casual no orkut para dar uma olhada no meu perfil.

    Uma solicitação de novo amigo: Bob Moraes.

    Pergunto-me mentalmente quem seria Bob Moraes.

    Entro no dito perfil e quem é?

    Um cachorro.

    Sim, um cachorro. Mais exatamente, o cachorro dos vizinhos dos meus pais, que o batizaram de Bob e deram o sobrenome da família para o cãozinho.

    E eu, que não sou amigo de ninguém daquela família no orkut (sou marrento mesmo, no meu orkut só tem pessoas com quem eu tenha um mínimo de afinidade) agora tenho de rejeitar o cachorro deles também.

    Mas, fiquei feliz. É a inclusão digital chegando ao mundo animal!

     

     

    Dica:

    Um amigo me disse pra baixar o filme Another Gay Movie e falou que era uma espécie de American Pie gay.

    Eu, que não tinha nada pra fazer, baixei e assisti.

    Tipo, é um besteirol sem fim.

    Mas me acabei de rir.

    Vale a pena pra distrair a mente em dias em que tudo que você precisa é de uma gargalhada descompromissada.


    Vida Que Segue…

    agosto 25th, 2008

    O dia amanheceu feio: cinza, ora garoando ora totalmente sem visibilidade por causa da neblina.

    Acordei e permaneci deitado, a televisão ligada enquanto o tempo se arrastava.

    Dei uma geral no apartamento, assisti à final olímpica do vôlei feminino e, quando me dei conta já era quase 3 da tarde. Me arrumei e parti para o local combinado. Às 5 em ponto eu estava em frente ao Cine Odeon, no centro velho do Rio.

    Um vento cortante e ele, como sempre, atrasado. Mas me perdi em pensamentos olhando o velho cinema e relembrando alguns bons momentos vividos ali.

    Quando ele chegou, me pegou distraído. Mas o grande sorriso de sempre estava em seu rosto cansado de quem havia enfrentado um dia inteiro no curso de pós-graduação e eu não pude deixar de sorrir também.

     

    -Olá, gatinho! Quanto tempo, não é mesmo? –ele disse enquanto me abraçava.

     

    Sorri e caminhamos para dentro do Café Odeon.

    Um pouco de conversa jogada fora, mil amenidades e eu me torturando, com um nó na garganta.

     

    -Precisamos conversar. –eu disse de sopetão.

    -Precisamos? –ele me olhou intrigado.

     

    E eu desabafei.

    Disse que não estava feliz; que estava tentando, mas que havia chegado ao meu limite; que sempre achei que fosse uma fase que iria passar, mas que nada mudava; que o que ele estava me oferecendo era pouco para mim; que eu era carente e precisava de atenção, não me contentava com um namoro mensal frio e com tudo cronometrado.

    Ele me encarava, o olhar perdido, nenhuma palavra sendo rebatida.

     

    -Então é isso, né? –ele apenas dizia eventualmente.

     

    De todas as vezes que havia visualizado aquela conversa, em nenhuma delas ela acontecia dessa forma: eu falando e ele ouvindo quieto.

    Por fim, ele apenas me disse:

     

    -Vou embora.

     

    Nos levantamos e saímos juntos.

    Na estação do metrô nos abraçamos e ele enfim desabou.

    Chorou e chorou e eu sentia pontadas no peito, uma dor maior do que quando ele terminou comigo da outra vez.

    Nos despedimos e eu, ainda abraçado, disse em seu ouvido:

     

    -Se cuida! E conte comigo para o que precisar.

     

    Naquele vagão, sozinho, estava triste. Mas aliviado.

    Eu sabia que tinha feito o melhor, apesar de tudo.

    Já quase chegando em casa, uma sms recebida pelo meu celular:

     

    Preciso repensar no rumo que estou dando a minha vida, em tudo que tenho feito.

    Tenho absoluta certeza que não sou feliz.

    Assim, não sou capaz de fazer alguém feliz.

    M.

     

    Me senti triste.

    Mas pelo menos ele admitiu que precisava repensar muitas coisas.

    E agora é vida que segue.

    Afinal, ela sempre segue.

     


    Pensamentos Avulsos (6)

    agosto 22nd, 2008

    -Definitivamente, o estagiário antigo da empresa não era de nada.

    Em compensação, o novo estagiário é um deus grego!

    Como evitar lançar olhares lascivos para cima de uma coisa tão linda?

     

    -Tô de saco cheio da Olimpíada!

    Não agüento mais ver/ouvir sobre.

     

    -Crepúsculo, da Stephanie Meyer é excelente, realmente. Já contando os dias para o lançamento da continuação, Lua Nova.

     

    -Adoro o programa Ídolos!

     

    -De boa, se eu fosse o Ciro Gomes eu teria muito medo.

    A Flora Patrícia Pillar é má pra caralho é uma excelente atriz!

     

    -Contagem regressiva: 01 semana para o inicio das minhas férias.

     

    -Bastante agoniado. Não dá pra prorrogar. A conversa definitiva é amanhã (sábado).

     

    Update:

    Nessa minha inquietação lembrei-me de um livro que li tempos atrás e de uma passagem em especial, que transcrevo abaixo.

    E serve como dica: o livro é excelente, vale a conferida.

     

    “Ninguém deseja saber de verdade como é se apaixonar, porque é um saco. É como um diamante; por fora parece lindo, mas por dentro é duro, cheio de arestas e cortante.

    O ato de verdadeiramente amar alguém nunca deveria ser confundido com uma fase agradável. Amar alguém é tão doloroso e decepcionante quanto é conhecer a si mesmo.

    É provável que seja a única coisa que vale a pena fazer, mas nem por isso quer dizer que será um passeio.”
    Página 238 do livro ‘Quarta-Feira de Cinzas’, do Ethan Hawke.

     


    Retóricas

    agosto 20th, 2008

    Como falar para alguém que o encanto acabou?

    Como verbalizar que você não quer mais sofrer, não quer mais ficar com a sensação de que só você luta pelo relacionamento?

    Como deixar claro que você ainda gosta, mas que gosta mais de você?

    Como ser honesto e sensato sabendo que magoará o outro?

    Como mostrar ao outro que nas últimas semanas vocês tem sido amigos, companheiros, mas não namorados?

    Como terminar sem que restem apenas mágoas e decepção?

    Como se pode gostar tanto de alguém e mesmo assim ter a certeza de que é melhor que não continuem juntos?

    Com explicar a alguém, sem atacar, mas em forma de desabafo, todos os motivos pelos quais precisa colocar um ponto final em tudo?

     

    Perguntas que teimam em não sair da minha cabeça.

    Mas a decisão já foi tomada.

     ‘Cest la vie!