Fragmentos do Cotidiano (7)
agosto 18th, 2008Meu cabelo andava me irritando.
Ódio desse cabelo que não é crespo e que não é liso e que cresce e fica sem jeito, sem corte.
Vou ao barbeiro (porque sou macho e vou ao barbeiro, não no cabeleireiro) e digo, de impulso:
-Passa a máquina 1!
O barbeiro, todo simpático:
-Mas a 1? Por que isso? Vai ficar muito baixo, muito feio! –ele diz.
-O que sugere então? Odeio esse cabelo sem jeito e sem corte, que não sabe se enrola ou não enrola. –eu digo.
-Deixa comigo… Vou passar máquina, mas fazer diferente! –como eu tava cagando e andando, deixei.
Ele passou máquina 2 na lateral e máquina 3 em cima e na frente.
E não é que eu gostei?
Segundo as meninas da academia, fiquei com cara de marginal sexy.
Então ta, né?
—
Noite de sexta-feira, namorado na cidade.
O que fazer?
-Vamos num barzinho com videokê? –sugere um amigo.
Barzinho legal, onde o sistema do videokê funciona mais ou menos assim: um telão numa das paredes e você canta sentadinho da sua mesa, ou seja, não há o mico de ficar em pé e o povo todo te vendo. É muito divertido.
Cerveja vai, cerveja vem, inibição vai embora.
Cantamos tudo que imaginarem, até Robocop Gay.
Detalhe que a mesa vizinha, composta por 3 casais, se entrosaram demais com a nossa.
Frase da noite, da menina mais sem noção da mesa e que estava com o cara mais lindo do bar:
-Sou muito mais eu do que qualquer uma que aparecer. Eu chupo bem, dou pra caramba e ainda tenho cu e dedo pra satisfazê-lo!
Então tá, né?
—
No msn (sempre ele), com meu amigo Mauri.
Papo vai, papo vem e ele, amavelmente, me diz:
Mauri diz:
Gente
Mauri diz:
acho que dos blogueiros que eu conheco
Mauri diz:
tu é o mais gato
Tipo, adoooro meus amigos!
Me matam de vergonha, mas que eu adoro, eu adoro!
—
Sexta-feira, 16h.
Eu distraído com umas planilhas do trabalho, envolto em reajustes de informações divergentes.
Som ambiente e de repente começa a tocar uma música que eu adoro.
Distraidamente começo a cantarolar junto:
“For all those times you stood by me
For all the truth that you made me see
For all the joy you brought to my life
For all the wrong that you made right
For every dream you made come true…”
Só que eu me esqueci completamente das outras quatro pessoas que estavam comigo na sala.
Na verdade, nem liguei pra elas… Sou autista por opção e normalmente ignoro as pessoas à minha volta.
Quando de repente, uma das meninas que trabalha comigo se posta ao meu lado com o grampeador na mão como se fosse um microfone e começa a cantar junto comigo.
Eu, bobo que sou, pego meu celular, abro e finjo que é o meu microfone e vou junto com ela num dueto impagável:
“You were my strength when I was weak
You were my voice when I couldn’t speak
You were my eyes when I couldn’t see
You saw the best there was in me
Lifted me up when I couldn’t reach
You gave me faith ’cause you believed
I’m everything I am
Because you loved me…”
Ao final do nosso surto psicótico olhamos pro lado e vimos as outras três pessoas nos encarando, incrédulas. Agradecemos pela presença e voltamos para nossos afazeres.
Ainda faltavam 55 min até o inicio oficial do fim de semana (que não é por nada não, mas foi maravilhoso!).

