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    Fragmentos do Cotidiano (9)

    outubro 31st, 2008

     

    “Essa não é mais uma carta de amor
    São pensamentos soltos
    Traduzidos em palavras
    Pra que você possa entender
    O que eu também não entendo…”
    O Que Eu Também Não Entendo (Jota Quest)

     

     

    Domingo de sol, dia na praia.
    Cinco pessoas no meu carro: namorado (MG), amiga do namorado (GO), amigo W., amiga A. e eu.
    Um engarrafamento filho da puta na Linha Vermelha, mais tempo pra atravessar o Rebouças do que pra descer de Petrópolis pro Rio.
    Muito calor e nós assando dentro do meu carro.
    Chegamos em Ipanema e mais um suplício pra achar uma vaga pra estacionar.
    Se não fosse a perspectiva de um dia perfeito o estresse estaria dominando.
    Então, parados na Vieira Souto, a amiga do namorado, goiana, solta uma das pérolas do dia:

    -Quantas ondas!!!! Eu quero levar todas pra mim!!!!

    Conversa dias atrás com o amigo do ping pong emocional.

    -E aí, como estão as coisas no seu namoro? Tudo acertado? –pergunto eu.
    -Sim, conversamos, está tudo certo agora! –ele responde.
    -Que bom, fico feliz por vocês! –foi o que disse.
    -Marcamos o noivado! E já decidimos morar juntos em breve! –ele me contou todo feliz.

    Com diz minha mãe: em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.

    Conversa no msn com o ex namorado.

    Ex-namorado diz: A praia tava boa?
    Autor diz: Excelente! Foi um dia lindo.
    Ex-namorado diz: Foi com quem?

    Citei o nome de todos, inclusive do atual namorado que ele não sabia que era o atual namorado.

    Ex-namorado diz: Posso perguntar uma coisa? Vc tá tendo algo com essezinho?
    Autor diz: Sim, estou namorando.
    Ex-namorado diz: Mas logo com ele? Eu não quero mais nada com você, não quero voltar, não quero namorar, mas também não quero te ver com ninguém, muito menos com ele. Eu sei que posso estar sendo escroto, mas é isso que eu penso.
    Autor diz: Pois é isso mesmo que você está sendo, escroto.

    E ficou offline.
    Meia hora depois ficou online novamente.

    Ex-namorado diz: Não falei antes pois achei que não fosse oportuno, mas também estou namorando.
    Autor diz: Uau! Com quem?
    Ex-namorado diz: Você conhece. Com o A., ele tava na boate no dia do seu aniversário, aquele meu amigo.
    Autor diz: Uau! Mas ele não tinha namorado?
    Ex-namorado diz: Ainda tem. Mas estamos namorando também.

    Tipo assim.
    Então tá, né?
    Gente maluca!

    Durmo na casa do namorado e, como sempre, acordo sem ele lá, já que ele sai antes que eu acorde.
    Fico me revirando na cama, me levanto, me arrumo pra ir pro trabalho.
    Vou ao banheiro escovar os dentes e me deparo com um Post It colado no espelho.

    “A cada dia que passa mais vejo o quanto gosto de você e sou feliz por saber que tudo isso é verdade. Um ótimo dia! Beijos!”

    E eu me pergunto: como essa pessoa ainda pode ter insegurança?
    Eu simplesmente adoro esse menino que faz os meus dias mais felizes!


    Mentiras

    outubro 29th, 2008

    “(Lies!) Living in a fantasy
    (Lies!) Don’t even know reality
    (Lies!) When you start talking, I start walking
    (Lies! Lies! Lies!)
    Don’t even wanna know the truth
    (Lies!) The devil has his eye on you, girl
    When you start talking, I start walking
    (Lies! Lies! Lies!)”
    Lies (McFly)
    Evebody lies!
    Essa é uma frase sempre presente na boca de Gregory House, o famoso médico do seriado House.
    Sei que ele é amargurado com a vida e mal humorado, mas tenho de concordar com ele.
    Todo mundo mente.
    Sempre.
    Intencionalmente ou não, sempre mentimos.
    Mentimos para nos proteger, mentimos para conseguir algo, mentimos para não magoar alguém. Simplesmente, mentimos.
    E não estou dizendo isso por algum motivo específico. Mas sim pelo fato de ter me pego pensando sobre como mentimos a todo o momento.
    Também não estou entrando no mérito de se é certo ou errado mentir e em quais circunstâncias isso seria ‘aceitável’.
    Afinal, que atire a primeira pedra quem nunca contou uma mentira bem intencionada.
    Certa vez um conhecido me disse que tinha reavaliado sua vida e que não mentia mais. Que tinha abolido a mentira de sua vida e que não mentia nunca. Eu desconfiei na hora! Duvidei e pude ver que ele mesmo não conseguia seguir seu modelo de vida. Um dia ele estava puto da vida com algo que não me lembro e passou alguém e disse: ‘-Tudo bem, André?’. A resposta dele? ‘-Tudo ótimo e com você?’.
    Mentira! Se ele realmente tivesse abolido a mentira de sua vida teria se transformado numa espécie de super-sincero e, até mesmo naquela ocasião, teria dito que a estava tudo uma merda. O que não foi o que ele fez, claro! Na verdade, ele mentia para si mesmo ao dizer que não mentiria mais.
    E quantas vezes não mentimos para nós mesmos?
    Fazemos de conta que tudo está bem ou que uma hora vai melhorar. Fingimos que tudo é perfeito e que o nosso mundo de faz de conta é o ideal. Mentimos.
    Certo? Errado?
    Questões que não quero discutir.
    Apenas acordei pensando nas mentiras que contamos e ouvimos todos os dias.
    Algumas vezes até mesmo preferimos as mentiras, afinal, como bem disse Cazuza: “Mentiras sinceras me interessam…”.
    Até que essas mentiras se voltam contra nós.
    Ou então quando somos obrigados a encarar a verdade de frente.
    Porque, acredite, não dá pra fugir e mentir a vida toda!
    Uma hora a verdade aparece e é esfregada na nossa cara.
    Sem dó nem piedade.


    A Semana Em Pílulas

    outubro 27th, 2008

    “The little things you do to me

    Are taking me over
    I wanna show you
    Everything inside of me
    Like a nervous heart that
    Is crazy beating
    My feet are stuck here
    Against the pavement
    I wanna break free
    I wanna make it
    Closer to your eyes
    Get your attention
    Before you pass me by”

    The Little Things (Colbie Caillat)

     

    -Desculpem a ausência, mas, com o perdão da palavra, a semana passada foi FODA.

    Correria absurda para propósitos sem fim.

    São nessas horas que me dá uma vontade louca de trocar de trabalho. Mas relevo.

    Foi anunciada uma reestruturação na empresa para o ano que vem e o meu atual chefe sabe que vai rodar e resolveu mostrar trabalho aos 47 min do segundo tempo, sobrecarregando todo mundo aqui com coisas inúteis e que não impactarão em nada no objetivo que ele quer atingir.

    Eu, particularmente, estou é doido pra chegar janeiro e pra ele rodar de vez. Já passou da hora.

     

    -Fim de semana anterior passado em casa, já que minha avó, mãe da minha mãe estava no hospital e os médicos meio que disseram pra família que ela não tinha muito tempo de vida.

    Fui pra casa, mas minha avó é osso duro de roer.

    Num dia estava mal no hospital, sem reconhecer ninguém, no outro recebeu alta e já está se recuperando em casa.

    Quero chegar aos 88 anos com a vontade de viver que ela tem.

     

    -Semana fora do escritório, fazendo ‘visitas comerciais’ em unidades da empresa.

    Entre aspas mesmo.

    Mas foi até bom, pq graças a isso eu conseguia chegar todos os dias em casa as 15h, pq é óbvio que eu não ia pro escritório depois.

     

    -Fim de semana lindo, ao lado do namorado mais lindo do mundo.

    Ele foi na sexta pra minha casa e ficamos fazendo nada o sábado todo, como a gente está se especializando em fazer.

    Mas o domingo amanhaceu lindo, com céu azul e sol brilhando e não resistimos ao convite de um amigo para descer para o Rio e curtir uma praia.

    Ficamos em Ipanema e, tenho de dizer, ver o meu estudante de medicina lindo, do interior de MG, se esbaldando feliz no mar foi lindo. Parecia uma criança, não saía da água.

    E, claro, ficou todo vermelho, afinal, é quase um nórdico.

     

    -E estou de volta.

    Dessa vez sem grandes pausas entre um post e outro.

    Boa semana!


    Caraminholas

    outubro 17th, 2008

    “Mudaram as estações
    E nada mudou
    Mas eu sei
    Que alguma coisa aconteceu
    Está tudo assim tão diferente…

    Por Enquanto (Legião Urbana)

     


    Você tá lá, seguindo sua vidinha mais ou menos, sem saber o que quer realmente da vida, se está ou não insatisfeito com seu trabalho, com a acomodação. E eis que de uma hora pra outra você perde o chão.

    Como tomar decisões podem nos tirar do eixo e nos deixar em verdadeiras sinucas de bico, assim, do nada?

    E por que tudo tem de acontecer ao mesmo tempo para nos deixar ainda mais confusos?

     

    Pequeno resumo dos acontecimentos dos últimos dias:

     

    - Convite para ser transferido para o Nordeste, mais precisamente, Maceió/AL, cuidar da implantação e certificação do ISO 9001 na área operacional da empresa (detalhe: nunca trabalhei com ISO e não entendo nada da área operacional, já que sou da gestão comercial aqui no Rio).

    Mais: como o convite partiu de um amigo que se mudou pra lá e teve um crescimento vertiginoso naquele estado, veio acompanhado da proposta de dar aulas numa faculdade particular de Maceió, de quem o meu amigo é amigo do reitor. Essa parte sim me tentou, já que se encaixaria perfeitamente no que quero pra mim.

     

    -Abertura de um processo seletivo interno, aqui no Rio, pra trabalhar como Instrutor Coorporativo, função que eu adoraria exercer e que preencho vários dos requisitos, além do salário mais que interessante. Me inscrevi e agora é esperar as próximas etapas do processo.

     

    -Possibilidade de atuar como monitor, uma vez por semana, numa faculdade que ministra cursos à distância aqui em Petrópolis. Salário legal pra uma atividade interessante.

     

    -Convite para abrir uma empresa de consultoria empresarial prestando suporte de marketing, endomarketing e serviços de informática com dois outros amigos (cada um especializado numa área, eu cuidando do marketing.)

     

    E como eu me sinto?

    Confuso! Totalmente confuso!

    Mas, sinceramente, prefiro que as oportunidades daqui se concretizem, pois apesar da proposta de Maceió ser tentadora, fico pensando na minha família, amigos e todas as minhas raízes que estão aqui e não sei se conseguiria lidar com tamanha distância.

    E, claro, tem o namorado que está meio que surtando com essa possibilidade, mas que disse que se for o melhor pra mim é o primeiro a me jogar no avião com destino a Alagoas.

    Pergunto: por que temos de crescer e tomar tantas decisões?


    Ping Pong Emocional

    outubro 15th, 2008

    “Tive sorte de encontrar voce
    Que debocha do meu jeito de ser…
    De repente faz juras de amor
    Me esquenta no frio, me refresca no calor…
    A gente troca, a gente troca de lugar
    A gente briga, a gente brinca de brigar…
    Chora de rir, fica de mal
    Coisas de casal…”

    Coisas de Casal (Rita Lee)

     

    Sou amigo de um casal já por aproximadamente seis anos.
    Quando os conheci, eles sequer namoravam e o namoro surgiu praticamente de uma armação nossa, que marcamos de sair e apresentar os dois.
    Eles se conheceram, ficaram, se apaixonaram e começaram a namorar.
    Eram, até a semana passada, um dos meus exemplos de casal de relacionamento sólido e estável. Agiam como uma única pessoa, o pronome era sempre ‘nós’ e era inevitável pensar que casassem, tivessem filhos e fossem felizes pelo resto da vida.
    Vale ressaltar as características de ambos. Ela é uns dois anos mais velha que ele, nem bonita nem feia, inteligente e bem humorada. Ele é do tipo que chama a atenção, tem cara de modelo e um ar esnobe que eu, particularmente, acho interessante, ou seja, bem mais bonito que ela.
    Quando comentávamos brincando sobre a improvável hipótese de um dia eles virem a terminar, sempre nos imaginávamos tendo de consolá-la, já que ela parecia ser a mais apaixonada da relação.
    Eis que na segunda feira fiquei sabendo que o relacionamento havia terminado. Por ela.
    Não entendi nada e fiquei realmente confuso com a situação, já que eu, assim como todos os demais, não esperava que isso acontecesse.
    Conversando com ela, num desabafo, fiquei sabendo que foram vários os motivos que a levaram a terminar com ele, de uma hora pra outra. Família, temperamentos diferentes, essas coisas.

    -Mas você sempre soube disso, afinal essas diferenças não podem ter sido acentuadas agora, aos 5 anos de namoro! –eu disse. –Tem certeza de que não tem nenhuma outra coisa?
    -Bem… Vou te confessar… Ele não me satisfazia sexualmente e isso foi o que mais pesou na minha decisão. Eu não queria acabar traindo. –ela me confidenciou.

    Entendi tudo. Sabe quando as peças que não se encaixavam imediatamente acham o seu lugar?
    Sexo é foda. (adorei esse frase, rs)
    Meu amigo que tomou o pé na bunda estava péssimo, desolado, sem entender o que tinha acontecido. E não seria eu que falaria para ele que era por ser ruim de cama, né?
    Mas eis que chegou a terça-feira e começou o ping pong emocional dos dois.
    Ela o procurou e se arrependeu de ter terminado. E ele a pediu em casamento. E ela aceitou.
    Como assim? E o que ela havia me dito?
    Se já era ruim o sexo como namorados, imagina casando, vivendo debaixo do mesmo teto, todo santo dia?
    No almoço, o grupo de amigos a la Friends, incluindo eu, ficou a conjecturar sobre a vida do casal, sobre por quanto tempo duraria esse retorno.
    Voltamos do almoço e ele nos informou que ela havia conversado novamente com ele e desistido da relação, que agora o fim era definitivo.
    Então ele decidiu mudar totalmente a vida, sair da casa dos pais, morar sozinho, me perguntou sobre apartamentos vagos no meu condomínio. Vida nova.
    Então cheguei hoje aqui no trabalho e ele veio me falar que agora voltaram. E que é definitivo.
    Tá. Sei que é.
    Povo maluco, isso sim!