• Home
  • O Autor
  •  

    Tópicos Para Um Fim De Semana Perfeito

    outubro 13th, 2008

    “I’ve been awake for a while now
    You’ve got me feelin like a child now
    Cause every time I see your bubbly face
    I get the tinglies in a silly place
    It starts in my toes and I crinkle my nose
    Wherever it goes I always know
    That you make me smile
    Please stay for a while now
    Just take your time
    Wherever you go…”
    Bubbly (Colbie Caillat)

    Sexta-Feira
    O início oficial do fim de semana, incomumente, tem de ser mais cansativo: viagem a trabalho, acordar cedo, reunião estafante. Um verdadeiro dia daqueles. Para que você possa chegar em casa feliz ao pensar que terá dois dias inteiros pela frente para não fazer nada.
    Troque sua roupa social, coloque um short e uma camiseta, acompanhados de um tênis bem confortável e se dirija para a academia no fim da tarde para fazer seus exercícios e expelir, junto com seu suor, todas as toxinas da semana estafante.
    Saia da academia e passe no supermercado. Dê-se o direito de encher o carrinho com coisas calóricas, frutas, carnes. Pense no cardápio variado das refeições do fim de semana.
    Em casa, aguarde ansioso que a portaria interfone dizendo que ele chegou. Ao abrir a porta, se renda ao sorriso iluminado e ao olhar travesso.
    Beije.
    Abrace.
    Faça sexo.
    Um banho relaxante, uma companhia perfeita.
    Cama.

    Sábado
    Acorde bem tarde. Nada como tomar café da manhã na hora do almoço.
    E almoce no meio da tarde, sem culpas e sem pressa.
    Volte para a cama.
    Beije. Abrace. Faça sexo.
    Filmes no dvd. Mais de um. Regados a muita pipoca e refrigerante.
    Programe-se, planeje sair para dançar.
    E não se culpe ao desmarcar tudo de última hora para continuar em casa na boa companhia, jogado na cama, vendo tv ou simplesmente conversando.
    Discuta. Por nada. E caia na gargalhada pela discussão infantil.
    Beije. Abrace. Faça sexo.
    Durma abraçadinho.

    Domingo
    Acorde mais cedo que ele.
    Prepare um almoço especial.
    Acorde-o com um beijo e fique observando-o despertar. Cada gesto, cada despreguiçar, cada sorriso.
    Almocem juntos e conversem mais.
    Riam juntos, como duas crianças.
    Voltem para a cama, vejam outros filmes, seriados.
    Beije, abrace, faça sexo!
    O convença a dormir na sua casa e só ir embora na segunda-feira.
    Durma junto, sabendo que ele está ali, ao seu alcance.

    Segunda-Feira
    Acorde emburrado porque outra semana de trabalho se inicia.
    Olhe pro lado e o veja ali.
    Sorria.
    Seu fim de semana foi perfeito. E vários outros também poderão ser.

     


    Coxas

    outubro 9th, 2008

    “If I told you things I did before

    Told you how I used to be

    Would you go along with someone like me

    If you knew my story word for word

    Had all of my history

        Would you go along with someone like me”
        Young Folks (Peter Bjorn and John)


    Na primeira vez que se viram, Rogério apenas reparou em suas coxas. Ele estava sentado no banco do ponto de ônibus quando aquele homem de belas coxas sob a bermuda curta parou em sua frente. Não conseguiu mais prestar atenção no livro que lia. Via apenas aquele belo par de coxas grossas, com pêlos lisos e negros.
    O ônibus chegou e ambos entraram. Rogério sentou-se no meio do ônibus e o dono das coxas se dirigiu para o fundo.
    Dois dias depois, novo encontro com o dono das coxas. Dessa vez ele estava acompanhado de um outro amigo, também de bermuda e regata. Em pé, no ponto de ônibus, Rogério apurou o ouvido e descaradamente prestou atenção na conversa dos dois. O amigo do dono das coxas falava feito uma matraca e através das palavras dele, descobriu que malhavam numa academia próxima àquele ponto de ônibus e quase gozou ao perceber que agora o dono das coxas tinha um nome: Márcio.
    Com o passar do dias, tornou-se rotina:  segundas, quartas e sextas eram os dias em que Márcio malhava e pegava o ônibus no mesmo horário que Rogério. Era o dia de Rogério ficar hipnotizado por aquele maravilhoso par de coxas grossas, de quase não conseguir esconder a ereção que brotava no momento em que avistava aquela obra de arte da natureza.
    Já estava virando obsessão: Rogério desejava Márcio. Ou melhor, as coxas de Márcio.
    Num dia chuvoso, Márcio se atrasou e Rogério achou que seria privado do seu prazer visual. O ônibus chegou, Rogério entrou, sentou-se num banco vago no meio do coletivo e, distraído, pegou seu livro e começou a ler. Foi quando aquele homem entrou e, num ônibus com outros lugares vagos, foi sentar-se justo no lado dele. Rogério já xingava o tal homem mentalmente quando reparou nas coxas molhadas pelos pingos de chuva e levantou o olhar: Márcio, seu objeto de desejo estava sentado ao seu lado. Não conseguia disfarçar, não conseguia tirar os olhos de cima daquele par de coxas. Fingia ler o livro para manter o olhar para baixo. Foi quando foi tirado de seu torpor.
    -Dia horrível, né, mano? Mó paia essa chuva!
    Rogério murmurou uma resposta qualquer e voltou para sua leitura.
    E perdeu o interesse imediatamente em Márcio.
    Se deu conta de que o preferia calado, já que ele tinha um jeito pavoroso de falar.
    Perdeu o tesão e até as coxas deixaram de ser interessantes.
    Rogério era assim.
    No dia seguinte, pegou o ônibus mais cedo.


    Pílulas Culturais

    outubro 7th, 2008

    “A gente não quer só comida

    A gente quer bebida,

    Diversão, balé

    A gente não quer só comida

    A gente quer a vida

    Como a vida quer…”

    Comida (Titãs)

     

    -Tanto li falando bem de Alice, o novo seriado nacional da HBO que resolvi ir atrás do primeiro episódio pra ver qual era a da história.

    Confesso que o fiz sem grandes pretensões pois não sou lá muito fã de seriado nacional.

    Me surpreendi. E foi positivamente.

    Sabe quando termina um episódio e você está satisfeito com o que viu? Com vontade de ver como continua? Fiquei com essa sensação ao final do primeiro episódio de Alice.

    Acredito que todo mundo já tenha lido algo sobre a história, mas vale dizer que Alice é uma jovem de 25 anos que vive em Palmas, capital do Tocantins. Tem sua vida toda planejada, com casamento marcado e toda a perspectiva que uma pessoa do interior do interior pode ter. Até que seu pai, com quem ela nunca teve muito contato, se suicida e Alice vai parar em São Paulo e sua vida dá um giro de 180º.

    Nesse episódio chamado ‘Pela Toca do Coelho’ vemos tudo que uma série boa tem de ter: interpretações consistentes (a Alice da atriz Andréa Horta é maravilhosa), bom roteiro, fotografia. Tudo se casa perfeitinho na tela.

    E ao final do episódio ficamos com um gostinho de ‘quero mais’, doidos para acompanhar as aventuras de Alice nesse país das maravilhas que é São Paulo.

     

    -Ainda no início das férias assisti a uma peça muito boa no teatro João Caetano, no centro do Rio.

    Já havia lido resenhas sobre o espetáculo, mas não imaginava que assisti-lo fosse uma experiência tão interessante.

    Estou falando de Renato Russo – A Peça.

    O espetáculo é um musical e conta, claro, a história do líder da Legião Urbana de forma cronológica, desde seus 15 anos até sua morte.

    Destaque total para o ator Bruce Gomlevsky que não interpreta Renato Russo. Ele o encarna.

    O musical é delicioso e um prato cheio para os fãs de Renato e da Legião Urbana. Eu, pelo menos, cantei quase todas as músicas acompanhando o ator no palco e a banda Arte Profana, que toca ao vivo e faz as vezes da Legião.

    Claro que, como não poderia deixar de ser, é uma peça triste. Mas vale cada centavo pago pelo ingresso e eu recomendo.

     

    -Dois filmes nacionais vistos e uma dúvida: por que as histórias nacionais sempre tem de ser tão trágicas?

    Era uma vez… e Linha de Passe, respectivamente de Breno Silveira e de Walter Salles & Daniela Thomas me causaram uma sensação de desconforto.

    Ok, são bons filmes exatamente por isso, afinal ir ao cinema é também uma forma de se fazer questionamentos.

    Era uma vez… é um Romeu & Julieta moderno passado no Rio, uma história de amor entre um favelado e uma patricinha da zona sul. Estão todos os clichês na tela, mas isso não incomoda, já que a direção de Breno Silveira, vindo do estrondoso sucesso de Dois Filhos de Francisco, é segura e competente. Mas do meio do filme pra lá eu já sabia que viria merda no final. E me perguntei, ao subir dos créditos: era realmente necessário um final tão… cruel?

    Linha de Passe se desenrola na periferia de São Paulo e acompanha a rotina de uma família composta de uma mãe e seus 4 filhos, cada um aparentemente de um pai. Uma desgraceira sem fim que termina exatamente como começou, sem dar respostas ou insinuar desfechos. O expectador que monte seu final.

    No geral, bons filmes nacionais. Bons e trágicos.

     

    Voltamos em breve com a programação normal.

    Bom meio de semana a todos!


    A Chave

    outubro 6th, 2008

    “Eu quero te olhar

    De um lugar diferente

    Eu quero a chave

    A chave da porta da frente

    Eu quero agora

    E eu quero pra sempre…”

    A Chave da Porta da Frente

    (Barão Vermelho)

     

    Ouviu o despertador do celular tocar e ficou naquele estado de dormindo-não-dormindo.

    Abriu os olhos e demorou alguns segundos para se localizar.

    Ali não era seu quarto, muito menos seu apartamento. Aquela não era a sua cama.

    Virou-se e quando encontrou aquele olhar verde anil a observá-lo se localizou.

    O dono dos olhos verdes o beijou ternamente, se levantou e começou a se arrumar. Tinha aula e logo depois plantão no hospital.

    Continuou deitado observando a rotina do rapazinho e recebendo um beijo a cada peça de roupa que este vestia.

    Ele nada dizia, apenas ficava naquele torpor matinal, apenas observando.

    O rapazinho ficou pronto, lhe deu mais um beijo e disse:

     

    -Bom dia, meu namorado!

    -Bom dia! –respondeu enquanto se despreguiçava.

     

    O rapazinho pegou sua mochila e se foi.

    Ficou sozinho ali no apartamento dele, deitado em sua cama, sentindo o cheiro do seu perfume, pensando na chave daquele mesmo apartamento que havia recebido dias antes, já que o rapazinho havia dito que seria para facilitar a dinâmica (ele trabalhava praticamente ao lado do prédio onde morava o rapazinho).

    Era inevitável para ele sorrir e pensar que a semana começava mais doce.


    Tédio

    outubro 3rd, 2008

    “…lá fora a vida passa e eu aqui à toa
    eu já tentei de tudo mas não tenho remédio
    pra livrar-me desse tédio…”
    Tédio (Bíquini Cavadão)

     
    Dizem que o trabalho no setor público faz as pessoas ficarem acomodadas, não procurarem novos desafios, estacionadas.
    Tenho de admitir que há uma certa verdade nisso.
    Sou empregado de uma empresa pública e me lembro de que quando entrei  pensava no dia em que sairia de lá, que seria apenas por um período, não mais que um ano.  Passaram-se 06 anos e eu ainda continuo na mesma empresa.
    Meu trabalho é simples e me dá uma flexibilidade de horário que me agrada imensamente.  Mas confesso que não é o trabalho dos meus sonhos, não acordo todo dia empolgado pra ir trabalhar e muito menos desejo continuar fazendo a mesma coisa o resto da vida (se bem que analisando meu desempenho em outros concursos que fiz atualmente, tô começando a me acostumar com essa idéia).
    Mas qual o motivo de eu estar dizendo tudo isso aqui pra vocês?
    Como todos sabem, eu estava de férias. Um mês inteirinho fazendo nada e adorando isso.
    Entretanto, tudo que é bom acaba e voltei no dia 1° para o meu querido trabalho.
    E o que encontro?
    Uma reforma no prédio, mais precisamente na minha sala.
    Minha mesa e meu computador tampados por um plástico preto e eu literalmente à toa, sem ter o que fazer o dia inteiro até que a pintura na minha sala esteja pronta.
    Sem ter o que fazer MESMO. Uma luta para achar um computador vago e mesmo assim que não tem todos os recursos que tenho na minha estação de trabalho.
    Uma verdadeira merda.
    E estou nessa, sem acreditar que vão cumprir o prazo e liberarem a sala pra usarmos normalmente na próxima semana.
    Enquanto isso fico nessa, longe de vocês, já que à noite, quando chego em casa, tenho mil coisas pra fazer e só venho no computador para checar email.
    Mas espero que esse meu tédio passe logo e, acreditem, quero até trabalho, pois voltei renovado dessas férias.