O Veneno da Anaconda – Entrevista com ThiCrazy
novembro 13th, 2008Nenhum programa me distrai
Eu ouvi promessas
E isso não me atrai
E não há razão que me governe
Nenhuma lei pra me guiar
Eu tô exatamente
Aonde eu queria estar…”
Dejà Vu (Pitty)
Ele tem 22 anos e um histórico pra lá de agitado: já foi casado, se separou, virou garoto de programa, venceu uma luta contra a leucemia e está pra lançar um livro contando essas e outras histórias.
Curitibano e com uma personalidade que exala sexo, assim é Thiago (ou Crazy, ou Willian, ou Alexandre), autor do blog Solsekisi e nosso entrevistado de hoje.
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Thiago, Crazyboy, menino, homem. Pelas suas histórias pode-se dizer que você é um cara multifacetado? Mil pessoas numa só? Mil personalidades?
Eu não diria mil personalidades, eu diria mil formas de pensar.
Por nossas conversas e pelo que leio no seu blog, sua vida sexual é bem movimentada. Sempre foi assim?
Não, só depois da separação com minha ex-mulher. Antes eu era alguém fiel e dedicado, mas depois só fui fiel e dedicado a quem realmente valia a pena. Como isso quase nunca acontecia…
Vc já fez programas. Fazia por que gostava ou por que a grana era boa?
Pelos dois. Eu adorava fazer programa, eu me divertia. Sexo sempre é bom, pelo menos eu sou viciado. E pagando pra fazer o que eu gosto, ai era pura diversão.
Já passou alguma situação inusitada durante o sexo? Qual a maior bizarrice que já fez ou pediram que fizesse?
Já sim, inúmeras. E eu não classificaria como bizarra e sim engraçada: transar vestido de galinha.
Heim? Explica isso!
O cara me ligou (um da alta sociedade curitibana) e me fez a proposta de transar fantasiado, ofereceu uma grana alta e eu topei.
Vc já falou do tamanho do seu pau algumas vezes… Tamanho faz diferença?
Não, não faz, não pra mim, mas talvez para os outros, vai do gosto (e cu) de cada um.
Voltando ao assunto dos programas e essa é uma curiosidade minha: quanto vc cobrava? Quanto vale uma noite de sexo?
No começo eu cobrava super barato: R$ 40 a hora. Mas depois, quando comecei a ter uma clientela fixa, grande e fiel, passei a cobrar de R$ 180 a R$ 300 a hora.
E fazia programas com que freqüência?
Cheguei a ter agenda, com 4 a 5 programas por dia e era super concorrido… As pessoas ligavam pra marcar, dae só tinha pra semana q vem, sabe. E eles agendavam e quando vinham me encontrar traziam presentes, falavam que ficavam contando os dias.
4/5 programas por dia? Vc não se cansava? Gozava em todos os programas?
Cansar, a gente cansa; mas eu gostava. Era bom, eu sempre fui fanático, obsessivo por sexo. E sim, gozava em todos os programas.
E por que parou de fazer programas?
Porque eu fiquei doente, eu tive leucemia.
Imagino que tenha sido um baque se descobrir tão jovem e doente. Como foi a luta contra a leucemia? Como vc conseguiu se reerguer de tão forte provação?
Quando meu médico me contou, eu fiquei atônito, sem reação; sai do consultório e comecei a chorar, chorava porque pensava q iria morrer. A única coisa que eu sabia de leucemia era o que eu tinha visto em Laços de Família. Me imaginava numa cama definhando…
A primeira semana foi um horror! Mas depois, quando contei a uma amiga, ela me ajudou a procurar sobre a doença, métodos de tratamento e cura e eu vi que eu podia enfrentar tudo.
Cheguei a pensar em me matar pra não ter que sofrer. Mas só me curei mesmo graças a meus amigos. Não canso de me dizer que foi por eles q me curei.
E o que mudou na sua vida pós-leucemia? O que restou do Crazy e o que ficou do Thiago?
Muita coisa mudou. A primeira e mais notória, foi que diminui os fervos e passei a cuidar de mim, para mim mesmo e não para os outros.
Costumo dizer q tenho 3 alter-egos: o Thiago, o Alexandre e o William.
O William é o cara certinho para a sociedade; o Alexandre é a bessha que se acha uma diva; e o Thiago é uma mistura racional dos dois outros egos.
Nenhum deles se desestruturou com a leucemia, somente se fortaleceram.
E como surgiu o blog na sua vida?
O blog surgiu junto com os programas. Antes meu blog se chamava: ‘Diário de um garoto de programa’, onde eu contava os casos e causos que aconteciam no meu dia a dia. Depois da doença, exclui aquele blog e comecei com esse.
E agora vc está pra lançar um livro… Não tem como não compará-lo um pouco com a Bruna Surfistinha. O que pensa dessa comparação?
O pessoal da editora teve este medo de haver uma comparação. Mas o livro dela é um documentário, o meu um romance.
Mas não foi pensando nisso q escrevi meu livro; a principio ele era uma compilação dos meus melhores momentos. Eu e o pessoal da editora trabalhamos em cima dele, para que eu nenhum momento ele seja comparado de tal forma, ate porque ele não é um livro q só fala de programas. Ele é a historia da minha vida, onde ocasionalmente eu passei a fazer programas.
E o que nós, leitores, podemos esperar de O Veneno da Anaconda? Quando será o lançamento? Como está sua ansiedade?
Não esperem um final feliz, pois meu livro não tem um… Esperem se identificar em muitas coisas, em muitos momentos. Um bom leitor vai sentir tudo o que eu senti lendo o livro, vai chorar e vai rir, vai ter raiva de mim e também vai me amar, é um livro que (pretendo) vai mexer com o sentimento de quem o ler.
O lançamento estava previsto para o dia 20/12, maaaas… bem neste dia eu tenho um evento em SP que não poderei faltar. Por enquanto, eu adiei, sem data definida, mas pretendo para inicio do ano q vem.
E ansiedade? Eu não tenho nem mais unhas. Eu to vendo um sonho se realizar!
Meu querido, foi um prazer enorme tê-lo como entrevistado aqui. Você sabe o quanto gosto de você e o quanto torço pelo sucesso do seu livro (e sou interesseiro mesmo e te mandei aqueles originais meus, rs). Tem algum recado final pra galera que te lê e que também torce por você?
Sou uma diva… UHAUHAUHAUHA
Brincadeirinha!
A felicidade está nas coisas mais simples. Não façam como eu que só dei valor a isso quando passei por uma provação que foi minha doença. Sejam felizes a todo o momento, tirem proveito das coisas mais insignificantes e sempre se amem incondicionalmente.




