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    Das Inquietações De Uma Mente Inquieta

    março 17th, 2009

    sozinho“Twenty-five years and my life is still
    I’m trying to get up that great big hill of hope
    For a destination
    I realized quickly when I knew I should
    That the world was made up for this
    Brotherhood of man for whatever that means
    And so I cry sometimes when I’m lying in bed
    Just to get it all out what’s in my head
    And I, I am feeling a little peculiar…”
    What’s Up (4 Non Blondes)


    Pois é, amigos!
    Sua vida parece perfeita: você tem um namorado perfeito, um bom emprego, amigos, família. Mas eis que parece que algo não se conecta, que as pecinhas do quebra-cabeça não se juntam.

    Ando me sentindo estranho: carente, triste, com medo de ficar sozinho, vontade de chorar, sensação de desamparo.

    Sem motivo, o que é pior.

    Às vezes acho que estou enlouquecendo e enlouquecendo o pobre do meu namorado que está preocupado comigo e não sabe o que mais fazer. Mal sabe ele que quando ele me abraça e me diz que tudo ficará bem, eu realmente acredito nisso.

    Mas me pergunto: estarei com crise dos 25 anos aos 27?

    Como tudo nessa vida é cíclico, espero logo que esse período maldito acabe logo, pois eu mesmo estou sentindo falta de ser quem eu sou: bem humorado, feliz, com um ego do tamanho do universo.

     

     

    Observação:

    Em conversa com Mr. Angel no msn ele me deu a possível causa do meu problema.

    Bichice.

    Simples assim.

    Segundo ele, todo viado (sic) tem dessas crises uma hora ou outra da vida.

    A solução: Britney Spears.

    Ouvir e dançar as músicas de Britney acaba com nossas inquietações e nos deixa prontos para uma nova crise.

    Salve, salve a sabedoria do meu guru particular!


    Glorinha

    março 12th, 2009

    glorinha3“Esmalte vermelho, tinta no cabelo,
    Os pés no salto alto, cheia de desejo,
    Vontade de dançar até o amanhecer,
    Ela está suada, pronta pra se derreter! 
    Ela é puro êxtase, êxtase…”
    Puro Êxtase (Barão Vermelho)


    Glorinha não sabia o que fazer.
    Achou que o problema fosse com ela. Ficou deprimida, chorou, procurou um analista.
    Resolveu se preparar, para que a vez seguinte compensasse toda aquela frustração.
    Passou o dia no salão de beleza: maquiagem, escova, unhas.
    Algumas horas pelo shopping e encontrou a roupa perfeita.
    Banho demorado, perfume caro.
    No jantar, Rubens estava meio sem graça. O restaurante era requintado, Glorinha estava linda e ele querendo esquecer o último episódio.
    A comida deliciosa, regada a champgne, ajudou a descontrair o ambiente. Riram bastante, conversaram um longo tempo e até se esqueceram da fatídica outra vez.
    No carro, o clima esquentou e Glorinha só pensava:

    Deu certo, deu certo! Hoje vou tirar a barriga da miséria!

    No motel, todo um clima: música romântica, meia luz, beijos ardentes.
    Mas…
    Nada do Rubinho se animar.

    Rubens e Glorinha conheciam-se havia alguns meses, começaram a ficar, a situação sempre esquentava, mas sexo… nada!
    Até que um dia terminaram sem roupas, dentro do carro dele, Glorinha toda empolgada, mas Rubinho dormindo…

    E pela segunda vez, a frustração tomou conta de Glorinha.
    Dessa vez ela se revoltou, mas chegou à conclusão que a culpa não era dela. Ela era linda, maravilhosa, gostosa, cheirosa. Uma deusa! Rubens é que não devia ser normal.

    -Acho melhor darmos um tempo, Glorinha. Não entendo o que está acontecendo…

    Glorinha, mulher moderna e bem resolvida, entendeu perfeitamente.

    -Claro, Rubens. Isso acontece com todo mundo, é normal. Não se preocupe. Mas acho que esse tempo vai ser ótimo para nós dois.

    Despediram-se como bons amigos.
    Glorinha entrou em casa, pegou o celular e ligou pra Marcos, seu ficante ocasional, uma máquina de sexo.

    -Alô, Marcos, você tá ocupado? Você podia vir aqui hoje, né?



    Três meses depois, quando entrava no motel com Marcos, Glorinha reconheceu o carro de Rubens.
    No banco do passageiro, um rapaz loiro e sarado, rato de academia.
    Glorinha caiu na gargalhada.

    -O que foi? -quis saber Marcos.
    -Nada meu caro. Sou uma mulher bem humorada, só isso… Vamos entrar logo. Estou louca pra me divertir com você!

    Mas no fundo, Glorinha só pensava:

    -Esses ‘homens’ de hoje! Convenhamos!


    Amigo da Onça

    março 11th, 2009

    faca“Parece uma rosa
    De longe é formosa
    É toda recalcada
    A alegria alheia incomoda
    Venenosa, êêêêê
    Erva venenosa, êêêêê

    É pior do que cobra cascaval
    Seu veneno é cruel…”
    Erva Venenosa (Rita Lee)

     

    As opiniões alheias sobre a minha pessoa normalmente não me afetam.

    Já fui tachado de metido, marrento, egocêntrico, prepotente e outras mil coisas.

    Como normalmente são opiniões de pessoas que não convivem comigo e com quem eu não tenho afinidade alguma, eu cago e ando pra isso.

    Para mim, o que importa são as pessoas que eu gosto, meus amigos, meus familiares, meu namorado.

    Eis que então, dias atrás, fui surpreendido por alguém de quem eu verdadeiramente gosto e que possui uma opinião muito diferente de mim da que eu imaginava.

    G. era o melhor amigo do meu ex namorado e por causa disso acabamos ficando amigos também. Mesmo depois que o meu namoro acabou continuamos nossa amizade, já que G. mora na mesma cidade que eu. Presente na minha vida, conhece até minha família, meus amigos, meu namorado. Daquele tipo de pessoa que eu emprestaria a chave da minha casa.

    Como tenho grande carinho por ele, acabei apresentando-lhe um outro amigo meu, que eu sabia que tinham gostos e preferências em comum. Resultado: acabaram namorando e estão assim, até onde eu sei, felizes (num relacionamento aberto, mas cada um sabe de si).

    Eis que no meio da semana passada recebo uma ligação do meu outro amigo, namorado de G., e entre um assunto e outro ele me diz que o G. não gosta de mim.

    Fiz cara de interrogação e perguntei de onde ele tinha tirado isso, no que fui informado que G. disse a ele pra tomar cuidado comigo, pois eu era uma pessoa falsa e que adorava um joguinho psicológico pra desestabilizar as pessoas. Que sua convivência comigo se limitava ao essencial e que ele não fazia a mínima questão de me ter como amigo. Disse mais: que ele gostava muito do MEU namorado e tinha pena do que eu viesse a fazer com ele, já que era uma pessoa boa que merecia alguém bem melhor que eu.

    Como assim, cara pálida?

    Confesso: fiquei chateado com toda a história e pensei seriamente em tomar satisfação com G., saber que porra era essa. Conversei com meu namorado que também se assustou com isso.

    Mas tomei uma decisão: G. realmente anda se afastando de mim sem dar nenhuma satisfação. Não serei eu quem cobrarei explicações. Quem tá incomodado comigo (por alguma razão que não faço idéia) é ele. E ele tem o direito de escolher os amigos que ele quiser.

    E de boa? Quem perde é ele, pois amigo como eu ele não vai achar por aí. Pois posso ter todos os defeitos do mundo, mas os meus amigos sabem quem e como eu sou. E é isso que me importa, a opinião dessas poucas pessoas.


    No Elevador

    março 9th, 2009

    conto“E subo bem alto
    Pra gritar que é amor
    Eu vou de escadas
    Pra elevar a dor…”

    Elevador (Ana Carolina)


    Encontraram-se no elevador.
    Um de terno, engravatado; o outro de jeans e camiseta branco, bem casual.
    O de terno apertou o 28º; o de jeans apertou o 30º.
    Apesar do ar condicionado, ambos suavam. Uma atração forte os dominava.
    O elevador começou a subir.
    1º – 2º – 3º - 
    O elevador estancou, de repente.
    Um black out. Estavam presos.
    Aquela sensação que sentimos quando estamos no elevador com completos estranhos.
    Mas ambos passaram a reparar um no outro…
    Ambos bonitos, ambos presos.
    Foi quando o do terno desapertou sua gravata e deu uma piscada de olhos para o de regata.
    O calor aumentou e o de regata se aproximou.
    Um beijo, sem mais nem menos.
    Corpos colados. Tesão à flor da pele. Mãos que se descobriam.

    Agora tudo era permitido.

    ”Não Homofobia! Por favor, acesso o site e participe.”

    Ao lerem o cartaz sobre  o abaixo assinado pregado no elevador, o tesão que sentiam aumentou ainda mais. Já estava seminus. O engravatado colocou o pau para fora enquanto o de camiseta verozmente o sugava com como uma criança tomando mamadeira ao mesmo tempo que batia uma punheta.
    O engravatado sentia as pernas bambas. Estava em êxtase e, ao olhar para cima, se assustou ao perceber alguém observando. Era o rapaz da manutenção que viera para tira-lo de lá e que se maravilhava com a cena.
    O engravatado fez sinal para que o rapaz que o chupava, agora completamente nu, visse que eram observados. E ambos estavam cheios de tesão.
    -Hahahaha. –eles apenas riram e sentiram mais tesão, enquanto continuaram seu show particular.
    E o pobre menino da manutenção não se decidia se estava ali para ajudar ou se perder de ver. Acabou por se esconder e agora estava com tesão. Seu membro duro pulsava por dentro de sua calça jeans. Enquanto isso, o engravatado suspirava, gemia e fazia uma expressão de quem estava se deliciando com as carícias orais do da camiseta. O rapaz da manutenção começou a se masturbar, imaginando que cada carícia de sua mãe era feita pela boca do rapaz originalmente de camiseta.
    E foi aí que o engravatado percebeu que o rapaz da manutenção estava só esperando um convite para descer e participar! Logo, o outrora engravatado sussurrou para o casual, para chamar o cara da manutenção, coisa que o casual fez e em menos de 10 segundos o cara da manutenção encontrava-se ao lado dos dois, que perceberam o quanto ele era grande em todos os sentidos já que se encontrava com seu macacão azul desabotoado até a cintura, demonstrando o quanto era gostoso e poderoso o seu membro.
    Contudo, a energia voltou. E por mais animados que eles estivessem, tiveram de parar e se recompor, pois o elevador agora descia para o térreo do prédio. Com pressa, todos se vestiram e logo a porta se abria para o saguão principal.
    Ao chegarem, uma cena lhes causou espanto. De repente, não havia mais nada além deles. Os relógios haviam parado no tempo, as ruas vazias, as casas abandonadas… Perceberam que só restavam os três ali na cidade. Então, voltaram a fuder!
    Ao verem frases homofóbicas ditas por uma barata falante incomodada com os três herdeiros do mundo vazio, os três perceberam que eles haviam mudado também. Podiam voar se quisessem, alcançar os céus, ter prazer nas nuvens.
    Ao chegarem no Olimpo, as portas de ouro foram abertas para os três convidados pelo próprio Zeus que os recebia completamente nu, assim como todos os outros deuses. Não haviam deusas.
    Os deuses fitavam os três homens da Terra. Zeus os levou para o centro, se ajoelhou e começou a chupar os três…
    -Delícia! –disse entusiasmado. –Nâotinha idéia que as coisas lá embaixo estavam tão parecidas com as daqui de cima.
    Zeus então pediu que Apolo chegasse junto, queria mostrar a ele do que estava falando. Apolo, tímido, ajoelhou-se também.
    -Tens razão, pai, como mel!
    -Mel do Olimpo, filho! Mel do Olimpo!

    -Não consigo… bloqueio! Não consigo! –gritava Poseidon, com modo da jeba imensa do rapaz outrora engravatado, ao mesmo tempo que era segurado pelos outros deuses. Poseidon fora amarrado e posto de quatro para ser penetrado. O rapaz engravatado deu primazia para seus outros dois amigos terrenos e o que usava camiseta teve a honra de fuder com força o cu do deus dos oceanos que já não gritava de dor e sim de prazer enquanto chupava o rapaz da manutenção
    E Poseidon ouviu uma voz, talvez de um deus deconhecido a dizer-lhe:
    -Quem ficou bloqueado foi o teu rabo, com este pau grande enfiado bem fundo!
    -Menino, isso aqui tá pegando fogo! Eu que sou de família não posso participar dessas coisas não!!! – gritava Dionísio ao ver a suruba generalizada no Olimpo, enquanto se embebedevada de vinho e tinha a roupa rasgada pelo Minotauro que aparecia feroz e louco para participar da putaria!
    -Gente do céu… Vocês precisam urgentemente procurar ajuda profissional! Quem sabe os 7 anões não se juntam a essa suruba mitológica?!?! –dizia enlouquecidamente Ares para todos ao adentrar o Olimpo. Logo em seguida, os anões, completamente nus com imensos paus babando de porra, já estavam sendo saciados por Zeus!
    As palavras de Ares foram ouvidas e os sete davam conta do recado. Teseu e Perseu mamavam nos mamilos do ex-engravatado que fudia Hermes com força! Ares ainda sem entender nada, fora arremessado longe por Hercules que já metia seu grosso caralho no seu cu fazendo o deus se calar e gozar de prazer.

    -Luxúúúúúúúriaaaaa! – gritava Eros, deus do amor, ao saciar a visão da suruba no Olimpo. Seu sonho estava sendo realizado e ele sorria ao saber que nenhuma deusa poderia participar daquilo. Chamou Zumbi dos Palmares ao Olimpo para que ele, com seus mastro de 27 cm, pudesse arrombar os deuses, mas o rapaz da manutenção, outro negro viril e de pau tão grande quanto, fazia a festa dos deuses nórdicos que vieram de Asgard a convite de Zeus para saciar a sede tesão. Thor, desesperado por rola, sugava o rapaz da manutenção, cujas veias do pau saltava enquanto Zumbi metia-lhe o pau com tada força naquele cu apertadinho.
    Foi então que um barulho ecoou por todo o Olimpo. Um barulho intermitente e longo que insistia no ouvido do outrora engravatado. O barulho, ensurdecedor, fez com que ele colocasse as mãos nos ouvidos e fechasse com força os olhos.
    Reabriu os olhos e se percebeu em sua cama, com o pau duro, com o despertador tocando insistentemente. Era hora de acordar.

    Repassou aquele sonho maluco na cabeça e não conseguiu parar de rir.
    Mas era tarde e ele precisava trabalhar… Era advogado e tinha uma audiência numa cidade do interior. Abriu seu guarda-roupas, escolheu um terno e preparou-se para o seu dia.
    No fórum praticamente vazio, pegou o elevador e não pode deixar de sorrir ao observar o rapaz de jeans e camiseta branca que o encarava dentro do elevador…

    FIM

     

     

    Definitivamente, vocês me matam de rir.
    E o que era pra ser um conto erótico virou um samba-no-Olimpo-doido.
    Mas valeu a pena, foi muito divertido.

    Ótima semana pra vocês!


    Rescisão Contratual

    março 6th, 2009

    contrato“Ninguém falou de amor
    Rolou um clima
    Mas não me leve a mal
    Se eu me apaixonar no final
    Não quero ver quem tem razão
    Sou movida à paixão
    Roupas jogadas pelo chão
    Sexo, amor, traição…”

    Sexo, Amor e Traição
    (Luciana Mello)


    Relacionamentos são contratos. Fato.
    Sejam eles mais ou menos flexíveis, somos nós quem ditamos as regras a que nos predispomos seguir.
    E quando digo relacionamento, estou me referindo a todos os tipos: amorosos, familiares, de amizade.
    Nesse contexto, o que seria uma traição?
    A quebra das regras contratuais, sejam elas explícitas ou implícitas.
    Dar em cima do namorado do amigo/a para mim é trair a amizade; beijar outra pessoa, sendo você comprometido e sem que essa pessoa saiba, pra mim é trair o relacionamento; mentir para o pai/mãe/irmão é trair a confiança da relação familiar.
    Entretanto, não há como não admitir: a palavra traição quase sempre nos remeta aos relacionamentos amorosos e suas complicações.
    Já traí e já fui traído. E sofri nas duas situações. Dois lados de uma mesma moeda?
    Todavia, acredito que existam casos e casos. Fora os acasos.
    O ser humano é carente por natureza e, se seu relacionamento não vai bem, pode acabar cometendo uma traição amorosa.
    Imaginem duas situações distintas:

    1º Um casal que não tem diálogo, que não vivem bem, mas que ainda pensam amar um ao outro. Surge uma terceira pessoa, conversas, atenção, carinho e acontece uma traição.
    2º Um casal aparentemente feliz, onde uma das partes mantém outros relacionamentos escondidos, de forma sistemática, enganando a outra parte.

    Julgar ambas as situações com a mesma severidade? Ou melhor: julgar as situações de qualquer jeito? Quem nos fez juízes da vida alheia? Quem nos deu esse direito?
    De todo o caso, opinião muito particular, acredito que o diálogo seja sempre a melhor alternativa. Pois se uma relação não está boa, sem diálogo vai apenas piorar. Com diálogo, podemos tentar achar os campos minados e consertar.
    Mas, sinceramente? Acho que mais do que fidelidade, o que conta mesmo é a lealdade.
    Lealdade a si mesmo e ao outro. Aos nossos e aos sentimentos alheios.
    Pois, como disse, relacionamentos são contratos.
    E cada um sabe das suas próprias regras e se deve ou não assinar embaixo do que foi proposto.

    Texto originalmente publicado no Mentes Discrepantes, em 15/02/2009, cujo tema da semana era Traição.
    O Mentes Discrepantes é um blog escrito por quatro pessoas completamente diferentes entre si que a cada semana falam sobre um assunto específico, escolhido pelos leitores do blog através de uma enquete. Textos inéditos sempre aos domingos e quartas.