
Foi uma terça-feira atípica, em todos os sentidos.
Cheguei em casa da natação cansado, liguei o computador, li uns emails, mas decidi assistir ao BBB deitado na minha cama, para imediatamente após o programa, dormir. Mesmo cansado, estava sem sono e assim, assisti a todo o programa e depois, ainda fiquei rolando para lá e para cá por algum tempo. Como não gosto de ficar assim, levantei, preparei um copo de leite com chocolate e me sentei na frente do pc.
Poucas pessoas online, nada de interessante para ler e decidi me aventurar por uma sala de bate papo da UOL. Todos sabem bem como são as salas, né? Mil horas de papo com mil pessoas para não se chegar a objetivo nenhum. Depois de muitos ‘como você é?’ e ‘qual o tamanho do seu pau?’ ele puxou papo comigo.
Um nick sutil: um nome próprio e não aquelas aberrações que vemos nesse ambiente. Perguntou a minha idade e se eu gostaria de conversar um pouco. E começamos. Papo interessante para uma sala daquelas e acabamos trocando msn.
Ele não tinha foto na exibição e eu, engraçadinho que sou, tive de perguntar:
‘Você é feio? Somente feios não colocam foto no msn.’
‘E vc é escroto? Somente alguém escroto pra perguntar algo do tipo…’
Eu ri e continuamos nosso papo. No meio da conversa ele pediu minha webcam e eu liberei. Ele me viu, fez alguns comentários e quando eu perguntei se ele também tinha, ele disse que sim, mas que não poderia abrir. Eu fui direto:
‘Beleza! Vou te deletar. Não falo com pessoas sem rosto!’
Me chamou de nervosinho e pediu meu telefone. Sei lá porque, passei. E ele me ligou e com aquela voz interessante e papo pra boi dormir, conseguiu me convencer a encontrá-lo sem ver nada dele antes. Sim, eu sei, sou louco. Mas, sei lá. Ele tinha algo mais, um bom papo, algo de sedutor que me atraia.
Disse que não sairia de casa e do meu bairro e, se ele quisesse mesmo me ver, que se despecansse de onde morava até uma pizzaria perto da minha casa e, quando estivesse lá, que me ligasse e eu desceria para encontrá-lo. Ele disse que tudo bem, que não se importava. 22 minutos depois ele me ligou e disse que estava no local marcado.
Saí de casa e ao sair do meu prédio vi o carro parado em frente à pizzaria. Ele, que me reconhecia, colocou a cabeça para fora e me chamou até ele. Era bonito, o que me surpreendeu, e tinha um certo ar familiar que eu não sabia de onde o conhecia. Entrei no carro, nos apresentamos e ele ainda fez uma brincadeirinha com respeito aos nossos nomes. Ele saiu com o carro e o papo fluia da mesma forma que no msn e no telefone. Até que ele, do nada, virou para mim:
‘Você está se fazendo de desentendido ou realmente não sabe quem eu sou?’
‘Sinceramente? Você me tem um ar familiar, mas eu não faço idéia de onde posso te conhecer.’
‘Ah, sim… É que eu sou ator, já fiz novelas na Globo e na Record. Meu nome é Fulano… De Tal!’
‘PUTAQUEOPARIU!’ – foi o que consegui dizer. Quando ele disse seu nome e sobrenome, tudo fez sentido e o rosto familiar ganhou contornos muito conhecidos para mim e finalmente descobri de onde o conhecia.
Ele riu, eu ri e acabamos no apartamento dele, na zona sul do Rio. Aquele homem lindo, que certamente já havia povoado meus pensamentos em alguma ocasião da minha vida, famoso, ali, no apartamento dele, comigo. Me desejando, me abraçando, transando comigo.
Depois do sexo, ainda ficamos deitados na cama, conversamos, rimos um pouco. E eu fingindo naturalidade ao estar ao lado dele, alguém que eu nunca imaginaria sequer conhecer. Tomei um banho e ele insistiu para eu ficar um pouco mais, entretanto, já passava das 3h da manhã e eu trabalharia cedo. Ele se vestiu e me levou até meu prédio.
No meu quarto, pronto pra dormir, eu imaginava como o Rio é uma esquina e como minha vida daria uma boa de uma novela (mexicana, eu admito). E quando estava quase adormecendo meu telefone tocou de novo. Era ele, dizendo que tinha gostado de me conhecer e que a noite tinha valido a pena. Que os contatos estavam salvos e que ele adoraria me rever novamente.
Pois é. Surreal pra mim.
E, como bem dizem por aí, é melhor não dizer o nome do santo. Afinal, quem come quieto, come duas vezes!
“Empapuçados de amor
Numa noite de verão
Ai, que coisa boa
À meia luz, à sós, à toa…”
Caso Sério (Ed Motta)