Um Dia Daqueles
abril 8th, 2009“Reach down your hand in you pocket
Pull out some hope for me
It’s been a long day,
Always say ain’t that right
And no lord your hand want stop it
Just keep you trembeling
It’s been a long day,
Always say ain’t that right…”
Long Day (Matchbox 20)
Abriu os olhos sobressaltado.
Nem mesmo o barulho insistente do despertador fora suficiente para acordá-lo. Mas as batidas incessantes de seu pai à porta o trouxeram de volta das mãos de Morfeu.
Levantou-se, vestiu-se às pressas. No espelho do banheiro, enquanto escovava os dentes, contemplou seu rosto: jovem, mas uma expressão de cansaço presente, nítida. Não lembrava mais aquele jovem cheio de vida de tempos atrás.
Engoliu rapidamente o café, queimou a língua, quase caiu da cadeira ao se levantar.
Pegou suas chaves e foi pro carro. Virou a chave. Nada. Motor afogado.
Gritou um palavrão. Já estava atrasado.
Pegou uma carona com seu pai e teve de ficar ouvindo uma rádio AM que tocava apenas músicas sertanejas.
No caminho até o trabalho pensou em tudo o que tinha de fazer e ficou mais desanimado ainda. Chegou atrasado e ouviu a piadinha característica do chefe:
-Boa tarde, rapaz!
Abriu sua caixa de e-mail: correntes, propagandas e um e-mail da namorada que abriu correndo:
Cansei do nosso namoro. Vc é uma pessoa muito difícil. Acho melhor que não me procure mais.
Término de namoro por e-mail com três frases. Realmente algo não estava bem.
Pensou até em ler seu horóscopo no jornal, mas desistiu. Lembrou-se de Murphy. Era melhor não arriscar.
O dia transcorreu da pior forma possível.
Tudo, exatamente tudo que poderia dar errado (e o que não poderia também) deu: o computador foi infectado por vírus, teve que atender um cliente insuportável que ficou reclamando por 2 horas sobre prazos não cumpridos, o ar-condicionado quebrou num dia de calor infernal.
No caminho de volta para casa, quase foi atropelado por uma bicicleta e foi assaltado por um pivete, que levou os R$ 10 que ainda tinha no bolso.
Sua casa estava completamente às escuras, parecia que não havia ninguém. Abriu a porta, acendeu a luz e essa não acendeu. Teve de ouvir sua mãe brigando com ele e o acusando de ter esquecido de pagar a conta de luz do mês anterior e agora a luz havia sido cortada.
Definitivamente, era melhor esquecer aquele dia. Tomou o banho frio (odiava banho frio, mas sem luz, o que fazer?) e foi se deitar. No escuro do quarto, pensou apenas que aquele dia horrível havia acabado. Nada mais podia dar errado.
TracK.
Estava no chão. A cama havia quebrado.
“Você é muito fogosa
“Why don’t we break up ?
“Esmalte vermelho, tinta no cabelo,
“E subo bem alto