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    #FilhaDaPutice

    julho 19th, 2010

    Era uma vez um Autor. Na verdade, era uma vez dois caras. Que um dia, casualmente, se encontraram e resolveram se conhecer. A surpresa ficou por conta de o outro cara ser muito interessante e ter um carisma fabuloso, o que foi como uma cereja no bolo.

    Das conversas iniciais ao encontro presencial se passou um tempinho. A vida é corrida e os contratempos estão sempre por aí. Mas, uma hora, os relógios são acertados e a gente acaba se encontrando. E nesse encontro, o Autor percebeu que estava realmente conhecendo alguém MUITO legal.

    Um jantar maravilhoso, uma companhia mais do que agradável e um convite: vamos amanhã numa festa? E o rapaz aceitou o convite do Autor. E no dia seguinte, com chuva, foi inserido num mundo meio louco, mas totalmente divertido, onde vários amigos, cada um de um canto desse país, se encontravam no Rio de Janeiro para um pré-niver do referido Autor. Detalhe importante: os amigos do Autor são ótimos, mas são difíceis e ciumentos. E o rapaz passou pelo crivo de TODOS, o que é algo realmente difícil de acontecer.

    Mas é dia de festa, de comemoração e o que se faz? Se bebe. Sem moderação. E é nesse clima que vão todos para o Chá da Alice, uma festa famosinha. Apesar da chuva, o Circo Voador estava lotado de pessoas bonitas e o clima era ótimo: boa música, muita diversão e… filha da putice aguda por parte do Autor.

    Cerveja, vodka, uisque e afins e o bom senso indo embora. Até o meio da noite, tudo perfeito: ao lado do rapaz, se divertindo muito e rodeado de amigos. Até que num momento, acontece: um rosto conhecido, um abraço, um ‘tô com saudade, você sumiu‘ e, quando se dá conta, beijos. E o rapaz ali, vendo isso. Falta de respeito das grandes, cara de pau ao extremo, #FilhaDaPutice purinha.

    Vergonha mesmo. Do tipo que até te deixa sóbrio ao ver o tamanho da merda que se fez. Mas o rapaz é educado e ainda se despediu com classe antes de ir embora. O Autor, no lugar dele, tinha virado a cara e ido embora, sem dar satisfação.

    Mas, o que tá feito, tá feito e explicações não são necessárias. Como bem se diz: “Contra fatos não há argumentos!” E o Autor assume a canalhice generalizada.

    Com um certo lamento, porque encontrar pessoas legais é tão difícil. E, quando se encontra, você age como um babaca para essa pessoa. Mea Culpa.

    “Quantas chances desperdicei
    Quando o que eu mais queria
    Era provar pra todo mundo
    Que eu não precisava provar
    Nada pra ninguém…”
    Quase Sem Querer
    (Legião Urbana)


    Síndrome de Peter Pan

    julho 14th, 2010

    Sempre gostei de fazer aniversários. Bom leonino que sou (ou era, não sei! Um amigo me fez um mapa astral e disse que meu sol está exatamente em Leão e em Câncer, porque nasci exatamente no dia da mudança e bla bla bla. Mas meu ascendente é Leão, então digo que sou Leão e foda-se! Na verdade, nem acredito nisso) adoro ser o centro das atenções, o mimo e, claro, os presentes.

    Mas esse ano tá sendo meio diferente. Na verdade, não estava, porque eu mesmo já marquei mil comemorações com os meus amigos (pré-comemoração, comemoração e pós-comemoração, pois é, sou exagerado) e estava ansioso pelo tal dia. Mas eis que nessa semana que antecede a data, estou pensativo. Não sei dizer porque, mas fazer 29 anos está me incomodando. Eu não quero envelhecer #ProntoFalei

    Eu sempre fui um cara de 20 e poucos anos. Pelo menos desde que comecei a realmente me sentir gente, eu sou um cara de 20 e poucos anos. Mas agora, fazendo 29, ano que vem serei um cara de 30. Tudo bem, já me disseram que a vida começa aos 30, que tenho muita coisa pra realizar e tal, mas, convenhamos, 30 é um número tão… pesado, né?

    Também não posso mais negar os sinais da idade (ô drama!). Tenho um verdadeiro pavor de ficar careca (nada contra quem é, mas não me imagino assim) e tenho a ligeira paranóia que os meus fios de cabelo estão querendo se suicidar, soltando-se do meu couro cabeludo e indo rumo ao infinito. Besteira (meu pai e meus avós não são carecas), mas eu sou gay e tenho o direito de exercer a minha futilidade, às vezes!

    Outra coisa é que meus amigos heteros ou estão casados ou se encaminhando para o casamento. E meus amigos gays estão ou na putaria ou entrando em relações estáveis. Isso é estranho. Porque apesar de parecer, eu não sou uma puta fulltime. Como meus relacionamentos anteriores me provaram, eu posso sim me apaixonar e me entregar numa relação. Mas, que culpa tenho se os caras por quem me interesso atualmente se tornam chatos ciumentos e possessivos depois de três encontros?

    O engraçado é que falei e falei e mudei o foco. Ou não. Por que, quem se importa se sou ou não prolixo aqui? Esse blog é meu e eu escrevo o que quero nele. Afinal, eu já tenho quase 29 anos.

    E, exatamente por isso, tomei uma decisão. Nesse ano comemorarei MUITO o meu niver, com direito a tudo que já planejei. Porque só se faz 29 anos uma vez na vida. Mas, a partir do ano que vem, todos os anos eu comemorarei meus 27 anos, simples assim. Se todo mundo faz questão de me dizer que tenho cara, jeito e voz de moleque, vou aceitar esse meu karma de ser pra sempre um pós-adulto e embarcarei na síndrome de Peter Pan pós-juvenil.

    Dessa forma, bem vindos à minha melhor idade!

    Forever Young!

    “Sou só um homem numa boba capa vermelha
    Cavando por criptonita nessa rua só de ida
    Sou só um homem numa capa vermelha engraçada
    Buscando por algo especial dentro de mim…”

    Superman (Five For Fighting)


    Friday Night Lights

    maio 28th, 2010

    É sexta-feira à noite. Da janela do meu quarto vejo uma lua majestosa, linda, brilhando solitária no céu do Rio de Janeiro. De um lado, Santa Teresa, do outro, prédios e mais prédios. Aqui, apenas eu.

    Apago as luzes do meu quarto, coloco músicas diversas a tocar aleatoriamente aqui no meu player e digito. Pensativo, solitário, me sentindo bem.

    Ando inquisidor (de mim mesmo) demais, contemplativo, pensativo. Hoje, com as luzes dessa sexta-feira à noite invadindo meu quarto, vejo que o silêncio do meu quarto é bom, que as vozes na minha cabeça são conselheiras, que o mundo pulsa e eu pulso junto. Apesar da música, quase posso ouvir o tum tum tum ininterrupto do meu coração. Coisa boa estar vivo, não é mesmo?

    Há muito não tirava uma sexta-feira à noite pra mim. Só pra mim. Pra mais ninguém. Gosto da minha companhia, sempre gostei. Penso na época que morava com meus pais e que meu quarto era o meu mundo e eu era o único rei ali. Hoje, sinto falta dos meus pais, da certeza de bastar sair do meu espaço para encontrá-los sentados na sala ou papeando na cozinha. Entretanto, vejo que essa saudade é boa, porque eles não estão aqui, mas que eu cresci e evoluí. Mas que basta a saudade chegar que posso correr para a casa deles e eles estarão lá para mim.

    Lá fora, a vida acontece. Aqui dentro, eu penso. E, olhando pra essa tela fria de computador, sorrio. Porque hoje a sexta é minha e eu sou meu. Mas sei que numa segunda, quarta ou quem sabe, outra sexta, você aí do outro lado, lerá isso. E saiba que você não está sozinho. Eu aqui. Você aí. O mundo inteiro, cada um em seu canto. É a vida, pessoa! E é bonita, é bonita e é bonita…

    “Mas eu preciso de outros sapatos,
    De outras roupas, outros temperos
    Para formar minhas ideias
    E meus sentimentos.
    Eu sou a soma de tudo que vejo
    E minha casa é um espelho
    Onde à noite eu me deito
    E sonho com as coisas mais loucas
    Sem saber porque…”

    Meu Reino (Biquini Cavadão)


    O Amor e Uma Porção de Linhas Sobre Ele

    maio 24th, 2010

    Vou me dar o direito de ser chato e falar dele novamente. Não, pode respirar aliviado, não falo de nenhuma pessoa específica, nenhum ex-namorado ou de uma paixão avassaladora. Mas sim dele, do sentimento, aquele filho-da-puta-desgraçado-sem-vergonha que chamam de Amor.

    Então vou ser direto pra vocês: ele existe, viu! E não o confundam com uma prima dele, uma tal de Paixão, que chega avassaladora e fazendo uma porção de estragos, mas que vai embora tão rapidamente quanto chegou.

    O Amor é mais sutil. Chega aos poucos, sem fazer muito alarde e, quando você vê, ele tá ali, morando em você, dentro do seu peito e do seu cérebro. E ele é muito agradável.

    Mas não confundam sua agradabilidade com cegueira. Porque enquanto a prima Paixão é cega e cheia de arroubos, o Amor é sereno e tem visão de raio X. Quase um super herói, já que ele enxerga os defeitos, tem consciência que eles existem, mas consegue relevar, fazendo muitas vezes o impossível: te deixar menos exigente e menos egoísta.

    Mas para muitos, a existência desse talzinho é uma lenda. Todo mundo diz que existe, conhece alguém que conhece alguém que já amou de verdade. Então, estou aqui pra dar meu depoimento real: ele existe sim e já morou em meu coração. Coisinha boa, sabe! Não faz arruaça, é um bom inquilino, te deixa mais… feliz!

    A diferença entre ele e a tal da prima Paixão é que ele simplesmente não vai embora. Ele só nos deixa depois de morto. E tenho de dizer que não existe coisa mais triste do mundo do que a morte do Amor. Muitas coisas podem matá-lo, já que ele é bem sensível. Sufocamento, solidão, falta de reciprocidade… E, mais triste ainda, é quando você é obrigado a matá-lo de qualquer jeito já que ele, que deveria existir em par (um morando em você, o outro dentro de uma segunda pessoa), de uma hora pra outra passa a existir sozinho no mundo. É triste, mas necessário.

    Só que nesses casos, muitas vezes ele fica lá, fingindo-se de morto, quando na verdade está apenas em estado de coma profundo, podendo acordar em qualquer  momento, te lembrando que não basta você querer que ele morra.

    O foda de tudo em realmente conhecer esse filho da puta sentimento é que você vai passar a usar a maldita da comparação em todos os seus possíveis relacionamentos. E isso é uma grande de uma merda.

    Mas tenho fé e tento abstrair. Afinal, o que é pior: tentar encontrar o que já se teve um dia ou sequer saber que algo existe?

    Afinal, se a vida não é simples e somos complicados em essência, por que o Amor deveria ser preto no branco e simples como um teorema matemático?

    O que posso garantir é que ele tá por aí. Dentro dos outros. Dentro da gente. Pelo mundo e pelo ar. Porque, posso garantir, a vida sem amor é bem menos colorida.

    “Não fosse amor, não causaria medo
    Feito um brinquedo cansaria logo
    Fosse ilusão não traria tanta saudade
    E eu não choraria no chão…”
    Deve Ser Amor (Kid Abelha)


    Inquietações e Resoluções Bipolares

    maio 11th, 2010

    Depois de um longo inverno, estou de volta. Por quanto tempo eu não sei, com qual frequência, menos ainda. Só sei que sempre volto, pois essa minha necessidade de escrever fala mais alto do que a falta de tempo/vontade que às vezes me toma.

    Tenho passado por um período de botar a casa em ordem, de ajeitar pensamentos, de organizar a bagunça. Penso e repenso, passo pelas mais estranhas fases e isso me ajuda muito. Pensar faz bem; demais, enlouquece, mas já passei dessa fase tem tempos.

    Ando carente e isso é fato, o que me faz imaginar que posso estar me apegando a coisas ‘inapegáveis’ com mais facilidade. Desde o término do meu namoro que efetivamente não me interesso por alguém. Claro, flertes sempre acontecem, joguinhos amorosos (nos quais sou PÉSSIMO) estão aí, mas nada que me desse o frio na barriga, a vontade de realmente investir em algo, de tentar construir uma relação.

    É onde me pergunto como cheguei aqui. Fazendo um exercício de retrocesso mental, chego ao ponto em que era noivo e planejava casar e constituir família, até o dia em que me vi apaixonado por um cara e todas as minhas certezas se foram por terra. De lá pra cá, muita coisa mudou; eu principalmente. O Autor de hoje não lembra nem de longe aquele rapazinho de tempos atrás e, sinceramente, não tenho saudade nenhuma daquele tempo. Mas sinto falta de uma certa ingenuidade que perdi no meio do processo de crescimento.

    O problema de viver intensamente é a maldita comparação. E eu sempre vou comparar tudo que vivi e, pelo menos no momento, penso que não conseguirei superar alguns ápices que tive até então.

    Tô chegando naquela fase em que a demanda tá me cansando e tudo que eu queria era ficar em casa num sábado à noite ao invés de sair pra encher a cara e pegar um milhão. Não que pegar um milhão não me divirta, mas acho que tô é ficando velho mesmo. O problema é que de um milhão, não encontro um que eu ache que vale a pena investir. E quando encontro, as ações e atitudes não deixam o encanto durar mais do que uma semana.

    Assim, chego onde estou: estacionado, pensativo, contemplativo. E cansado de tanto pensar.

    A resolução de agora? Versão 2010.2: Autor, No Drama!

    Até quando? Até que horas?

    Porque você sabe, né? Decisões de Bipolar tendem a durar a eternidade de um minuto.

    “I could be brown, I could be blue
    I could be violet sky
    I could be hurtful, I could be purple
    I could be anything you like
    Gotta be green, gotta be mean
    Gotta be everything more
    Why don’t you like me? (…)
    Why don’t you walk out the door?”

    Grace Kelly (Mika)