Rescisão Contratual
“Ninguém falou de amor
Rolou um clima
Mas não me leve a mal
Se eu me apaixonar no final
Não quero ver quem tem razão
Sou movida à paixão
Roupas jogadas pelo chão
Sexo, amor, traição…”
Sexo, Amor e Traição
(Luciana Mello)
Relacionamentos são contratos. Fato.
Sejam eles mais ou menos flexíveis, somos nós quem ditamos as regras a que nos predispomos seguir.
E quando digo relacionamento, estou me referindo a todos os tipos: amorosos, familiares, de amizade.
Nesse contexto, o que seria uma traição?
A quebra das regras contratuais, sejam elas explícitas ou implícitas.
Dar em cima do namorado do amigo/a para mim é trair a amizade; beijar outra pessoa, sendo você comprometido e sem que essa pessoa saiba, pra mim é trair o relacionamento; mentir para o pai/mãe/irmão é trair a confiança da relação familiar.
Entretanto, não há como não admitir: a palavra traição quase sempre nos remeta aos relacionamentos amorosos e suas complicações.
Já traí e já fui traído. E sofri nas duas situações. Dois lados de uma mesma moeda?
Todavia, acredito que existam casos e casos. Fora os acasos.
O ser humano é carente por natureza e, se seu relacionamento não vai bem, pode acabar cometendo uma traição amorosa.
Imaginem duas situações distintas:
1º Um casal que não tem diálogo, que não vivem bem, mas que ainda pensam amar um ao outro. Surge uma terceira pessoa, conversas, atenção, carinho e acontece uma traição.
2º Um casal aparentemente feliz, onde uma das partes mantém outros relacionamentos escondidos, de forma sistemática, enganando a outra parte.
Julgar ambas as situações com a mesma severidade? Ou melhor: julgar as situações de qualquer jeito? Quem nos fez juízes da vida alheia? Quem nos deu esse direito?
De todo o caso, opinião muito particular, acredito que o diálogo seja sempre a melhor alternativa. Pois se uma relação não está boa, sem diálogo vai apenas piorar. Com diálogo, podemos tentar achar os campos minados e consertar.
Mas, sinceramente? Acho que mais do que fidelidade, o que conta mesmo é a lealdade.
Lealdade a si mesmo e ao outro. Aos nossos e aos sentimentos alheios.
Pois, como disse, relacionamentos são contratos.
E cada um sabe das suas próprias regras e se deve ou não assinar embaixo do que foi proposto.
—
Texto originalmente publicado no Mentes Discrepantes, em 15/02/2009, cujo tema da semana era Traição.
O Mentes Discrepantes é um blog escrito por quatro pessoas completamente diferentes entre si que a cada semana falam sobre um assunto específico, escolhido pelos leitores do blog através de uma enquete. Textos inéditos sempre aos domingos e quartas.
Muito interessante o post. Traição realmente é um tema muito controverso, cheio de minas. E o diálogo é de fundamentam importancia num relacionamento. Muito bom mesmo. Abraço.
Já fui muito radical neste assunto. Mas hj a experiencia mostrou que, pra cada relação,existem regras diferentes.Se ambos estão de acordo,então não problema. Eles só vêem qdo,ainda assim,algo foge do “combinado”.
Aí eu acho sim,uma puta sacanagem.
Abraços!!
A fidelidade não está no meio das pernas, mas sim na cabeça e no coração. Isto dito assim, parece ser um lema meu, o que não está correcto, pois sou por natureza monogâmico; admito, com uma frequência rara, já ter traído sexualmente, mas nunca deixei de ser fiel. Da mesma forma encaro a situação da pessoa que amo.
Abraço.
E sobre aquele casal amigo seu?
Fique com Deus, menino Autor.
Um abraço.
te devolvo outra pergunta:
cabe a gente julgar?
sendo um contrato quando uma das partes o quebra se quebra a confiança
Bom, uma criatura só trai a minha confiança uma vez: depois de quebrada, raramente eu consigo confiar de novo… Enfim, né? Mas nem quero pensar muito nisso, pq é quase certo que eu vou achar, nem que seja uma mísera vez, uma ocasião em que EU tenha quebrado a confiança que depositaram em mim, e lidar com isso é ainda pior! Queria ser uma santa, pra saber perdoar os outros e a mim mesma… rs.
Bjo, meu lindo!
PS.: quase xixo de rir com o conto erótico ali embaixo – cadê o resto???
Já conversamos bastante sobre isso né? Hehehe… Acho que erros todos cometem, e quem nunca cometeu que atire a primeira pedra.
Meu conceito de traição se modificou muito com o tempo… Experiencias nos fazem ver que nem tudo é cor de rosa no mundinho da Hello Kitty…
sou totalmente antitraição.
solteiro sou de todos,mas quando estou com alguém sou monogâmico.
não entendo traição, partido o pressuposto que ninguém fica com alguém, por pressão ou o que quer que seja. se tá com a pessoa é porque gosta, se não, sai fora, é muito mais bonito.
como todo contrato, há cláusulas e cláusulas
é difícil definir o certo e errado sem saber o que diz o contrato de cada casal…
.em traições, cada caso é um caso. e apesar de todos ao redor possuírem opiniões, somente os realmente envolvidos no “contrato” podem discutir cláusulas, quebras e soluções.
.mas independente de que, onde e porquês, eu tenho certa intolerância a traição. e sei que mais cedo ou mais tarde, minha posição encontrará um dilema que o sacuda e questione. espero amadurecer isso tudo. para melhor, espero.
.abraço.